O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil continuará buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos das políticas comerciais dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, após o anúncio de novas taxações estadunidenses sobre produtos brasileiros.
Lula destacou que o Brasil procurará outros parceiros se os Estados Unidos não quiserem comprar ou investir. Ele enfatizou que o país é democrático e soberano, e que não adotará mais uma postura subserviente diante das grandes potências. O presidente também ressaltou a importância do respeito mútuo nas relações internacionais.
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada no governo de Donald Trump, que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais. Entre as justificativas para a medida está a alegação de que o Pix prejudica empresas estadunidenses de pagamento eletrônico.
Lula anunciou que participará da reunião do G7 em junho na França, evento que reúne líderes de várias potências mundiais. O Brasil foi convidado pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Lula afirmou que é necessário fortalecer o multilateralismo e as instituições internacionais, como a ONU, defendendo a reforma do seu Conselho de Segurança.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça 21% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. O governo brasileiro e empresas afetadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até 15 de julho.
Lula criticou a atitude dos Estados Unidos, considerando-a insensata, já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente Donald Trump um prazo de 30 dias para resolver a questão comercial. Após uma reunião na Casa Branca, Lula entregou documentos que demonstravam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil, destacando um superávit de US$ 415 bilhões nos últimos 15 anos.
O presidente brasileiro expressou surpresa com a decisão dos Estados Unidos, afirmando que acreditava estar estabelecendo uma nova lógica de relacionamento democrático e civilizado entre os dois países.
