Lula condena ataque dos EUA à Venezuela e cobra resposta da ONU

Os Estados Unidos realizaram uma operação militar de grande escala contra a Venezuela na madrugada de sábado, 3 de janeiro, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, segundo anúncio do presidente americano Donald Trump.

As explosões começaram por volta das 2 horas da manhã, horário local, atingindo a capital Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Testemunhas relataram múltiplas explosões, colunas de fumaça e aeronaves militares sobrevoando a cidade em baixa altitude por aproximadamente 90 minutos. Diversas áreas de Caracas sofreram interrupção no fornecimento de energia elétrica logo após o início dos bombardeios, especialmente nas proximidades da base aérea de La Carlota.

O governo venezuelano denunciou a operação como uma “gravíssima agressão militar” e acusou os Estados Unidos de bombardear alvos civis e militares, incluindo o Forte Tiuna, considerado um dos principais complexos militares do país, a base aérea de La Carlota e o porto da capital. Caracas declarou emergência nacional e ativou planos de mobilização de defesa. A administração venezuelana classificou o ataque como um “ato de agressão extremamente grave” e alegou que o objetivo dos EUA seria o controle de recursos estratégicos, particularmente petróleo e minerais.

Trump descreveu a operação como “brilhante” e marcou uma coletiva de imprensa na Flórida para detalhar o ocorrido. Segundo autoridades americanas, a captura de Maduro visa levá-lo a julgamento por acusações de narcotráfico e terrorismo. Os Estados Unidos acusam o presidente venezuelano de liderar o Cartel de los Soles, descrito como uma organização terrorista internacional ligada ao tráfico de drogas. Autoridades americanas haviam oferecido 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão de Maduro.

A operação representa o clímax de uma campanha de pressão dos EUA contra Caracas que começou meses antes. Em agosto, a administração Trump começou a enviar uma frota militar para o Caribe, e desde setembro realizou mais de 20 ataques contra embarcações supostamente envolvidas no tráfico de drogas em águas internacionais. Em outubro, Trump anunciou o envio do USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, acompanhado de seu grupo de ataque. A presença militar americana na região aumentou gradativamente ao longo dos meses.

Inicialmente, a Casa Branca justificou a mobilização militar como combate ao narcotráfico internacional. Posteriormente, autoridades americanas revelaram, sob anonimato, que o objetivo final seria derrubar o governo Maduro. Trump e o presidente venezuelano chegaram a conversar por telefone em novembro, mas os contatos terminaram sem avanços, pois Maduro teria demonstrado resistência em deixar o poder.

Nas últimas semanas, a pressão americana intensificou-se. Militares dos EUA apreenderam navios petroleiros da Venezuela, e Trump determinou um bloqueio contra embarcações que enfrentam sanções. A Administração Federal de Aviação dos EUA proibiu que aeronaves americanas operem no espaço aéreo da Venezuela, citando riscos de segurança associados à atividade militar.

A reação internacional foi polarizada. Rússia classificou a operação como um “ato de agressão armada”, enquanto Cuba descreveu o ataque como “criminoso”. A Colômbia expressou “profunda preocupação” com a segurança civil, e o Chile pediu uma saída pacífica para a crise por meio do diálogo. A Venezuela solicitou formalmente uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para denunciar o que considera uma violação da soberania nacional.

O governo da Venezuela também invocou o direito à legítima defesa previsto na Carta das Nações Unidas e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade. A nota oficial venezuelana afirma que os EUA tentam impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”. Até o momento, ainda não havia informações oficiais sobre vítimas ou feridos resultantes dos ataques.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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