Lula conversou com Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela

Na manhã de sábado, 3 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou uma conversa telefônica com Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela que assumiu o comando interino do país após uma invasão militar dos Estados Unidos em Caracas. A operação americana, iniciada na madrugada, resultou na captura e sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que foram levados para Nova York, onde passaram por audiência de custódia em um tribunal federal e agora estão detidos em um presídio no Brooklyn.

Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo entre Lula e Rodríguez abordou a delicada situação política no momento, sem detalhes adicionais divulgados. No dia seguinte, domingo 4, as Forças Armadas venezuelanas reconheceram oficialmente Delcy Rodríguez como presidente interina, em linha com decisão do Supremo Tribunal de Justiça do país, que a determinou assumir todos os poderes presidenciais para garantir a continuidade administrativa e a defesa da nação. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossou a medida em pronunciamento em rede nacional, limitando o período inicial a 90 dias, conforme a Constituição venezuelana.

Delcy Rodríguez, advogada de 55 anos com longa trajetória no chavismo desde 2003, incluindo cargos como ministra do Petróleo e vice-presidente executiva desde 2018, apareceu em rede estatal pedindo calma à população e classificando a ação americana como um sequestro. Em carta pública ao presidente dos EUA, Donald Trump, ela defendeu uma agenda de colaboração equilibrada, baseada na igualdade e sem ingerência externa, priorizando um relacionamento respeitoso.

Do lado americano, Trump reagiu com ameaças diretas, afirmando que Rodríguez pagará um preço muito alto se não cooperar e que os EUA pretendem administrar a Venezuela até uma transição segura. Em coletiva no Mar-a-Lago, na Flórida, ele anunciou planos para enviar grandes empresas petrolíferas americanas ao país, com foco na recuperação da infraestrutura das reservas de petróleo venezuelanas, as maiores do mundo, mantendo embargo sobre o óleo local em vigor. Trump enfatizou que a intervenção envolveria autoridades americanas para cuidar da população e evitar instabilidades.

Maduro e Cilia Flores enfrentam acusações graves nos EUA, como comandar um governo corrupto e ilegítimo, narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e explosivos, sem apresentação de provas detalhadas até o momento. Especialistas em relações internacionais criticam a ação como violação à soberania venezuelana e ao direito internacional, sem aprovação do Congresso americano ou mandado judicial, representando um risco à ordem multilateral e à estabilidade da América do Sul como região de paz. A tensão global escalou, com potências mundiais em alerta diante das movimentações de Trump no início de 2026.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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