Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

# Lula critica ação militar dos EUA na Venezuela em artigo no New York Times

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal The New York Times neste domingo criticando duramente a operação militar realizada pelos Estados Unidos em território venezuelano no início de janeiro, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. No texto intitulado “Este hemisfério pertence a todos nós”, Lula classifica os bombardeios e a prisão de Maduro como “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.

O presidente brasileiro argumenta que o uso recorrente da força por grandes potências enfraquece a autoridade da Organização das Nações Unidas e seu Conselho de Segurança. Lula ressalta que “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”. Para ele, a aplicação seletiva das normas internacionais compromete todo o sistema global, tornando impossível construir “sociedades livres, inclusivas e democráticas”.

Embora reconheça que líderes de Estado podem ser responsabilizados por ações contra a democracia e direitos fundamentais, Lula enfatiza que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”. Segundo o presidente, as ações unilaterais “ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.

O presidente destaca ser “particularmente preocupante” que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe, regiões que buscam a paz através da igualdade soberana entre nações e da rejeição ao uso da força. Lula ressalta um ponto histórico significativo: em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.

Reafirmando a posição de autonomia regional, Lula argumenta que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, “têm seus próprios interesses e sonhos a defender”. Em um mundo multipolar, segundo ele, nenhum país deveria ter suas relações exteriores questionadas por buscar universalidade diplomática. O presidente afirma ainda que o Brasil não será “submisso a projetos hegemônicos” e defende a construção de “uma região próspera, pacífica e plural”.

Lula também apresenta uma agenda regional positiva capaz de superar diferenças ideológicas, focando em investimentos em infraestrutura, geração de empregos, ampliação do comércio e combate à fome, pobreza, tráfico de drogas e mudanças climáticas. Quanto ao futuro da Venezuela, Lula é claro: “o futuro do país deve permanecer nas mãos de seu povo”. Para ele, apenas um processo político inclusivo liderado pelos próprios venezuelanos poderá levar a um futuro democrático e sustentável.

O presidente anuncia que o Brasil continuará trabalhando com o governo e povo venezuelanos para proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada e aprofundar a cooperação bilateral. Ao finalizar o artigo, Lula reconhece que Brasil e Estados Unidos são “as duas democracias mais populosas do continente americano” e propõe unir esforços em investimentos, comércio e combate ao crime organizado, concluindo que “somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

Leia mais