Durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a América Latina e o Caribe só resolverão seus problemas se enfrentarem os desafios de forma conjunta e ressaltou ativos políticos e econômicos que a integração regional pode mobilizar.
Seguindo a linha de que seguir divididos aumenta a fragilidade, Lula destacou as credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais da região para almejar uma presença relevante no contexto mundial.
Para atingir esses objetivos, ele informou que é fundamental que as lideranças regionais estejam comprometidas com mecanismos institucionais que articulem de modo equilibrado os diferentes interesses nacionais.
Segundo o presidente, falta convicção sobre os benefícios de um projeto de inserção internacional mais autônomo; nesse sentido, sugeriu que os países da região considerem as riquezas ainda não aproveitadas que podem assegurar uma inserção competitiva na ordem global.
Ele argumentou que a região dispõe de ativos de ordem política e econômica que podem sustentar o impulso integracionista, entre os quais o potencial energético ligado a reservas de petróleo e gás, à hidroeletricidade, aos biocombustíveis e à energia proveniente de matrizes nuclear, eólica e solar.
Entre os ativos, Lula citou a presença da maior floresta tropical do planeta, o conjunto de solos e climas variados e os avanços científicos e tecnológicos na produção de alimentos.
O presidente ressaltou ainda que a região possui recursos minerais abundantes, incluindo minerais críticos e terras raras, que são essenciais para a transição energética e digital.
Ele afirmou que, juntos, os países da região formam um mercado consumidor com mais de 660 milhões de pessoas, e observou que não há conflitos graves entre os participantes do fórum, cuja governança é amplamente democrática.
A América Latina e o Caribe foram descritos como únicos, e Lula disse que a integração possível deve ser calcada na pluralidade de opções, guiada pelo pragmatismo para superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas dentro e fora da região.
Ele reforçou que não há possibilidade de qualquer país, de modo isolado, resolver os problemas da região, lembrando os 525 anos de história e destacando que a colonização se manifestou por meio da formação cultural da população; afirmou ainda que é necessário mudar de comportamento para criar um bloco que possa enfrentar a fome nos países da região.
Lula foi convidado como palestrante especial e foi o segundo a discursar, logo após o presidente do Panamá, José Raúl Mulino; a expectativa é de que ele retorne ao Brasil ainda hoje, ao final do dia.
O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe seguirá até o dia 30.
