O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa neste domingo (9) em Santa Marta, Colômbia, da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia (UE). O encontro é considerado por Lula o ambiente adequado para discutir a movimentação militar dos Estados Unidos na região do Caribe e na costa da Venezuela. Em entrevista concedida na semana anterior em Belém, o presidente ressaltou que a América Latina deve ser uma zona de paz, e que os conflitos na Venezuela são questões políticas que precisam ser resolvidas por vias diplomáticas.
A cúpula ocorre em um contexto de tensão na região, com a presença reforçada de tropas terrestres, submarinos e navios militares dos Estados Unidos, que tem justificado sua atuação como combate às rotas de narcotráfico. A Venezuela, sob a liderança de Nicolás Maduro, vê nesse reforço militar uma tentativa de interferência nos seus recursos petrolíferos e uma estratégia para desestabilizar seu governo.
Este é o quarto encontro entre a Celac e a UE, reunindo líderes dos 33 países da Celac e dos 27 da União Europeia. A expectativa é que a cúpula consolide a Declaração de Santa Marta e o Mapa do Caminho 2025-2027, instrumentos que buscam transformar o diálogo birregional em ações concretas, sobretudo em aspectos como a cooperação, transição energética, digital e ambiental, além do avanço das negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE.
A presidência pro tempore da Celac na reunião atual é exercida pela Colômbia e será passada ao Uruguai em 2026. O Brasil retomou sua participação em janeiro de 2023, após três anos de ausência. Lula participa apenas do primeiro dia do evento, retornando a Belém para a abertura da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
Embora a cúpula conte com a presença de representantes de mais de 60 países, algumas ausências de peso marcam o evento, como a da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Uruguai, refletindo as complexidades nas relações internacionais presentes. Ainda assim, especialistas avaliam que, mesmo sem grandes acordos imediatos, a cúpula pode impulsionar importantes avanços nas relações econômicas, políticas e ambientais entre América Latina e Europa, especialmente no que se refere ao comércio e à cooperação tecnológica.
