Maduro desembarca em Nova York escoltado por agentes federais

Imagens transmitidas ao vivo por canais de televisão norte-americanos capturaram o momento exato do desembarque do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no Aeroporto Internacional de Stewart, localizado no Vale do Hudson, a cerca de 95 quilômetros de Nova York. A aeronave que transportava o líder venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, tocou o solo por volta das 18h30 no horário de Brasília deste sábado, mais de 16 horas após a captura do casal em Caracas por forças especiais dos Estados Unidos, em uma invasão militar sem precedentes ao território soberano da Venezuela.

No instante do desembarque, Maduro surgia cercado por dezenas de agentes do FBI e da DEA, a agência antidrogas americana. Vestido com moletom e capuz, ele parecia algemado nos pés e nas mãos, enfrentando visível dificuldade para descer as escadas da aeronave e caminhar pela pista até um hangar do aeroporto. Segundo relatos da imprensa dos EUA, o casal será processado por tráfico internacional de drogas, embora o governo norte-americano ainda não tenha apresentado provas públicas das acusações. De Stewart, eles devem ser transferidos de helicóptero para a sede da DEA em Manhattan, e dali encaminhados a presídios federais para responder detidos ao processo judicial.

A operação que culminou na captura começou com uma invasão planejada por meses, envolvendo cerca de 150 aeronaves partindo de 20 bases militares americanas. Maduro e Flores foram inicialmente levados de helicóptero até o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, posicionado no mar do Caribe, e de lá transportados por avião até os Estados Unidos. A ação, adiada em quatro dias por condições climáticas adversas, marca o ápice de uma escalada de tensões, com Trump ordenando bloqueios navais e apreensões de petroleiros venezuelanos nas últimas semanas.

Mais cedo, em sua primeira coletiva de imprensa após o episódio, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos assumirão diretamente a administração da Venezuela até uma transição segura de poder. Ele não precisou por quanto tempo durará esse controle sobre o país sul-americano, que compartilha mais de 2 mil quilômetros de fronteira com o Brasil. Trump mencionou uma conversa recente com Maduro, uma semana antes da captura, na qual o venezuelano teria tentado negociar, mas foi recusado. Além disso, o líder americano indicou a possibilidade de diálogo com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, do círculo político de Maduro, para formar um governo interino. Rodríguez, no entanto, rejeitou veementemente qualquer subordinação aos EUA em sua primeira reação pública, afirmando que a Venezuela não se tornará colônia norte-americana.

A chegada de Maduro aos EUA gerou reações contrastantes. Enquanto expatriados venezuelanos nos Estados Unidos celebravam a remoção do líder, a operação militar reacende debates globais sobre soberania e intervenções unilaterais. A procuradora-geral americana, Pam Bondi, confirmou que o casal enfrentará acusações federais de narcotráfico, com audiências previstas para a próxima semana. Vídeos e fotos do desembarque, divulgados por redes como Reuters e Sky News, mostram o ex-presidente escoltado sob forte esquema de segurança, sinalizando o início de um novo capítulo na crise venezuelana.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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