Anaiara Ribeiro, advogada de 43 anos, emocionou-se ao ver seu filho João, de 18 anos, ingressar em uma faculdade de jornalismo em Brasília. Realizando o sonho do filho, Anaiara também decidiu matricular-se para viver a experiência da sala de aula ao lado dele.
O diagnóstico de autismo de João, obtido aos 8 anos, confirmou as percepções de Anaiara sobre as necessidades do filho. Desde que João tinha dois anos, ela buscou auxílio de diversos especialistas, chegando a deixar seu emprego para dedicar-se integralmente ao cuidado dele.
Após o divórcio, Anaiara enfrentou novos desafios, mas continuou a ser a principal cuidadora de João, uma realidade comum no Brasil, onde a maioria dos cuidadores de pessoas autistas são mulheres, segundo o Mapa do Autismo no Brasil.
A pesquisa, conduzida pelo Instituto Autismos, revelou que a média de idade para diagnóstico de autismo no Brasil está em torno dos 4 anos, alinhada aos padrões internacionais. Isso é visto como positivo, pois diagnósticos precoces facilitam tratamentos e cuidados.
O levantamento também destacou que famílias gastam mais de R$ 1 mil em terapias, muitas vezes recorrendo a planos de saúde. O governo federal anunciou um investimento de R$ 83 milhões para ampliar a assistência a pessoas com autismo, incluindo novos serviços de reabilitação.
Anaiara reconstruiu sua família após o divórcio, casando-se novamente e tendo uma filha. Ela reconhece que sua situação é uma exceção, já que muitas mães de pessoas autistas permanecem solteiras ou separadas. No entanto, ela encontrou um parceiro que assumiu a paternidade de João, trazendo felicidade à família.
