Em discurso realizado nesta quarta-feira (1º) em Brasília, Marina Silva se despediu do comando do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Esta foi sua terceira passagem pela pasta, todas durante os mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marina Silva fez um balanço de sua gestão de 39 meses, de 1º de janeiro de 2023 a 1º de abril de 2026. Ela destacou a retomada da liderança do Brasil na agenda global sobre o meio ambiente, apresentou dados sobre a redução do desmatamento em biomas ameaçados e falou sobre a recuperação institucional do ministério.
Segundo a ministra, ao assumir em janeiro de 2023, encontrou uma estrutura que precisava ser reconstruída em sua capacidade política, ética, técnica, administrativa e operacional. Durante o período, foram incorporados mais de 1.557 servidores ao sistema MMA, distribuídos entre Ibama, ICMBio e Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Ela destacou que o orçamento anual da pasta mais que dobrou, crescendo 120% ao passar de R$ 865 milhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão em 2025. Esse aumento, junto com a recuperação institucional, gerou efeitos significativos.
Em 2025, em comparação com 2022, o desmatamento caiu 50% na Amazônia e 32,3% no Cerrado, evitando a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. No ciclo mais recente de alertas, de agosto de 2025 a fevereiro de 2026, houve uma nova redução de 33% na Amazônia e de 7% no Cerrado.
Com a ampliação das equipes e aumento dos recursos financeiros, houve maior atuação nas áreas mais ameaçadas. Entre 2022 e 2025, o Brasil passou a ter 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação da vegetação nativa.
As ações de fiscalização do Ibama na Amazônia cresceram 80% e as do ICMBio, 24%, em comparação com 2022. As áreas embargadas na Amazônia aumentaram 51% pela atuação do Ibama e 44% pela do ICMBio. A área de mineração ilegal na Amazônia foi reduzida em 50%.
Além de prestar contas e apresentar resultados, o discurso marcou a passagem do comando do MMA. Um decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União nomeia João Paulo Ribeiro Capobianco como novo titular da pasta. Segundo Marina, a nomeação garantirá a continuidade das políticas adotadas no governo do presidente Lula.
Marina Silva afirmou que encara “a ação política como serviço” e disse que não é otimista ou pessimista, mas persistente. Ela ressaltou que “não existe civilização se o negacionismo prevalece. Se prevalece, talvez não exista nem planeta.”
