Massacre de Realengo: 15 anos depois, debate sobre misoginia ganha força

Há 15 anos, um jovem entrou armado na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, e abriu fogo, matando 12 alunos e ferindo outros 10, antes de cometer suicídio. O ataque, conhecido como Massacre de Realengo, deixou marcas profundas na sociedade e levantou discussões sobre suas motivações.

O atirador deixou vídeos e uma carta de suicídio alegando ter sofrido bullying durante seu período escolar. Essa versão foi amplamente discutida, levando à criação do Dia Nacional de Combate ao Bullying em 7 de abril, conforme a Lei 13.277/2016. Entretanto, um grupo de pesquisadoras feministas aponta que a misoginia foi um fator negligenciado, dado que 10 das 12 vítimas fatais eram meninas.

Lola Aronovich, pesquisadora e ativista, critica as explicações dadas na época, que incluíam argumentos como a diferença na velocidade de corrida entre meninos e meninas. Ela destaca que o atirador mirava para matar as meninas e apenas ferir os meninos, e que ele era visto como herói em grupos masculinistas online.

Cleo Garcia, doutora em educação, estudou casos de violência extrema em escolas brasileiras e identificou um aumento expressivo nos últimos anos. Ela observa que todos os ataques foram cometidos por homens e frequentemente ligados a crenças opressoras, como misoginia e ideologias extremistas, com comunidades online exacerbando esses sentimentos.

Garcia destaca que a misoginia é um fenômeno complexo, influenciado por fatores psicológicos e socioculturais. Ela enfatiza a importância de modelos de masculinidade que não promovam agressão e superioridade. Já Lola Aronovich aponta a necessidade de múltiplas frentes de ação, incluindo educação, segurança pública e regulação digital, para enfrentar a violência.

Para Cleo Garcia, o ambiente escolar é crucial na formação dos jovens, e a integração entre famílias e instituições é essencial. Ela ressalta que a sociedade como um todo deve investir em educação, saúde mental e segurança para prevenir tragédias futuras.

Fonte: Agência Brasil

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