Mauro Vieira participa de reunião da Celac sobre crise na Venezuela

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, participa neste domingo de uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), convocada para discutir a grave situação na Venezuela após o ataque militar promovido pelos Estados Unidos. O encontro, realizado por videoconferência a partir das 14h no horário de Brasília, reúne representantes de 33 países da América Latina e do Caribe, com o objetivo de analisar os impactos da ofensiva americana e definir uma posição conjunta em defesa da soberania regional.

A Celac, criada em 2010 no México, atua como um fórum exclusivo de diálogo político entre nações latino-americanas e caribenhas, sem a presença dos Estados Unidos ou do Canadá. Ela promove a integração regional, a coordenação em temas como democracia, direitos humanos e desenvolvimento, e busca uma voz unificada na agenda internacional, priorizando a cooperação e a não intervenção.

O episódio que motivou a reunião ocorreu na madrugada de sábado, quando forças militares dos Estados Unidos lançaram uma operação em Caracas, com explosões em diversos bairros da capital venezuelana, bombardeios a quatro alvos estratégicos e neutralização de sistemas de defesa aérea. Helicópteros transportaram tropas de elite que capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, em um esconderijo. O casal foi levado a bordo do navio USS Iwo Jima com destino a Nova York, onde Maduro enfrentará acusações de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas destrutivas. O presidente americano Donald Trump anunciou a ação, afirmando que ordenou pessoalmente a captura na noite de sexta-feira e que os Estados Unidos governarão o país temporariamente, com possível envio de tropas adicionais, visando maior controle sobre a indústria petroleira venezuelana, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Essa intervenção evoca memórias de ações passadas dos Estados Unidos na região, como a invasão ao Panamá em 1989, quando o presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob acusações de narcotráfico. Assim como no caso anterior, os americanos acusam Maduro de liderar um suposto cartel de drogas chamado Cartel de Los Soles, embora especialistas em tráfico internacional questionem sua existência e a falta de provas apresentadas. O governo Trump havia oferecido uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão do líder venezuelano. Críticos veem na operação uma manobra geopolítica para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, ampliando a influência americana sobre seus recursos energéticos.

No Brasil, a resposta foi imediata e firme. Mauro Vieira, que estava de férias, interrompeu o recesso e retornou ao Palácio Itamaraty para participar da videoconferência. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou veementemente os ataques em suas redes sociais, chamando-os de “inaceitável afronta à soberania da Venezuela” e um “precedente extremamente perigoso” que ameaça a região como zona de paz. Lula destacou a violação flagrante do direito internacional, comparando-a aos piores momentos de interferência externa na América Latina, e anunciou que o Brasil levará denúncias ao Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira. A ministra interina Maria Laura da Rocha confirmou a convocação, enfatizando a análise das consequências para a estabilidade regional e a busca por uma reação diplomática unificada.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, contestou as declarações de Trump, reafirmando a continuidade do governo Maduro e classificando a ação como violação da soberania nacional. Apesar dos bombardeios que deixaram partes de Caracas sem energia, as forças americanas não controlam o território, e o governo chavista resiste. A reunião da Celac, além da crise imediata, deve abordar temas da agenda regional como desarmamento nuclear, agricultura familiar, cultura, energia e meio ambiente, reforçando a aspiração por maior autonomia latino-americana em meio às tensões globais.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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