Representantes dos blocos de integração regional Mercosul e União Europeia preparam-se para assinar, neste sábado, um acordo de livre comércio que integra um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas, sendo 450 milhões na UE e 295 milhões no Mercosul[1][3][7]. Após 26 anos de negociações intensas, o tratado foi aprovado por ampla maioria dos 27 países da UE e será formalizado em Assunção, no Paraguai, país que preside temporariamente o Mercosul desde dezembro de 2025[1][3].
A cerimônia de assinatura ocorre a partir das 12h15, horário de Brasília, no teatro José Asunción Flores, do Banco Central paraguaio, o mesmo local onde, em 1991, foi assinado o Tratado de Assunção, marco inicial para a criação do Mercosul, composto hoje por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai[1]. O evento reúne líderes como os presidentes Javier Milei, da Argentina; Rodrigo Paz, da Bolívia; Santiago Peña, do Paraguai; e Yamandú Orsi, do Uruguai, além de figuras da cúpula europeia, incluindo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu[1]. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não comparece, mas destacou o pacto como histórico, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com um PIB conjunto de 22 trilhões de dólares[1][6].
O acordo elimina tarifas para cerca de 90% a 92% dos produtos negociados entre os blocos, com reduções imediatas para parte deles e gradativas para outros, em prazos que podem ultrapassar 15 anos, como no caso de veículos elétricos europeus[1][2][8]. Para a UE, abre mercados sul-americanos a setores competitivos como indústria automóvel, maquinaria, químicos, farmacêuticos, vinhos e queijos, onde tarifas atuais chegam a 35%[1][2]. No sentido oposto, facilita exportações do Mercosul de carne, açúcar, arroz, mel, soja e outros agroprodutos, com cotas tarifárias e proteções para importações agrícolas europeias[1][2].
Estudos indicam impactos econômicos modestos, mas positivos no longo prazo. Projeções do governo brasileiro apontam elevação de 0,34% no PIB até 2044, equivalente a 37 bilhões de reais, com aumento de 0,76% nos investimentos, queda de 0,56% nos preços ao consumidor e alta de 0,42% nos salários reais[1]. Exportações totais podem crescer 2,65%, somando 52,1 bilhões de reais, e importações 2,46%, atingindo 42,1 bilhões[1]. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada estima ganho de 0,46% no PIB brasileiro até 2040, o maior entre os países do Mercosul[1]. Para a UE, exportações ao Mercosul devem aumentar em 50 bilhões de euros, enquanto as do Mercosul à Europa crescem 9 bilhões de euros[1][8]. Consultorias como Oxford Economics preveem 0,3% de ganho no PIB do Mercosul e 0,1% na UE, com o Brasil e a Argentina como principais beneficiados[1].
Após a assinatura, o tratado exige ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu, processo previsto para 2026, com possibilidade de aplicação provisória de partes como reduções tarifárias[1][2][4]. O pacto inclui compromissos ambientais e cooperação para descarbonização[1][6]. Lula enfatizou que o Brasil busca ir além de commodities, produzindo bens de maior valor agregado, enquanto von der Leyen destacou regras claras e oportunidades multiplicadas para investimentos e empregos dos dois lados do Atlântico[1][6].
