Moradores da Maré enfrentam alagamentos e esperam melhorias com obras de saneamento

Cláudia da Costa Tavares da Silva, de 63 anos, aponta para a marca de um metro na parede, lembrando a altura que a água alcançou em sua casa durante os alagamentos no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. Em dias de chuva, sua rotina se transforma em uma corrida para proteger a mãe de 86 anos, empilhar móveis e lidar com a água suja que retorna do esgoto.

Há anos, os moradores do Complexo da Maré, composto por 16 favelas e 200 mil habitantes, enfrentam alagamentos devido ao despejo irregular de esgoto na rede pluvial, acúmulo de lixo e drenagem obsoleta. Essa combinação resulta em casas alagadas e pessoas andando nas ruas com água na cintura.

A concessionária Águas do Rio anunciou, em março, um investimento de R$ 120 milhões para ampliar a rede de esgoto e amenizar a situação. No entanto, a organização social Redes da Maré destaca que a solução definitiva requer ações integradas com a prefeitura.

Cláudia, que mora na região há quase seis décadas, conta que sua família tem se adaptado ao longo dos anos, instalando batentes nas portas para conter a água. Apesar das intervenções, o aumento das chuvas torna essas medidas insuficientes.

O medo dos moradores não se limita à perda de bens, mas também aos riscos à saúde, como doenças e presença de insetos e ratos. No Complexo da Maré, muitas casas não estão conectadas à rede de esgoto, o que sobrecarrega as galerias pluviais e contribui para as enchentes.

A Águas do Rio planeja ligar as residências à rede de esgoto, substituindo canos conectados às galerias e instalando 18 quilômetros de tubulação nova. As obras, que devem durar dois anos, contam com recursos do BNDES e de organizações multilaterais.

A comunidade também arcará com parte dos investimentos por meio do pagamento de contas de água e esgoto. Após a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) em 2021, hidrômetros começaram a ser instalados nas residências, e as primeiras contas chegaram em março, surpreendendo os moradores com valores elevados.

A Águas do Rio informou que cancelou as cobranças indevidas e incluiu os moradores na tarifa social. A professora Ana Lucia de Britto, da UFRJ, alerta para cobranças abusivas em comunidades pobres e destaca a necessidade de atenção na relação entre a concessionária e os moradores.

Na Maré, os moradores esperam que os investimentos tragam melhorias no esgotamento sanitário e alívio nas enchentes. A professora Érica Araújo de Moraes, de 59 anos, reclama que a infraestrutura não acompanhou o crescimento populacional, enquanto Tuane Silva, de 35 anos, destaca a urgência das obras para evitar que a água suja volte para as casas a cada chuva.

Fonte: Agência Brasil

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