Arlindo de Souza, o olindense conhecido nacionalmente como Popeye Brasileiro, faleceu aos 55 anos na madrugada de terça-feira (13), no Hospital Otávio de Freitas, em Tejipió, na zona oeste do Recife. Internado desde dezembro devido a complicações renais graves – com um rim parando de funcionar e o outro falhando na semana do Natal, seguido de acúmulo de líquido nos pulmões e uma parada cardíaca –, ele sucumbiu ao que familiares descrevem como falência múltipla de órgãos, embora a causa exata ainda aguarde o atestado de óbito.
Pedreiro de profissão, Arlindo morava no bairro de Águas Compridas, em Olinda, Pernambuco, onde o sepultamento ocorreu na tarde de quarta-feira (14), no cemitério local. Solteiro e sem filhos, ele sustentava-se com bicos como servente de pedreiro e vivia com a mãe, cuja saúde frágil impediu que a família a informasse da perda. Sua fama explodiu no início dos anos 2000, quando apareceu em programas de TV como o de Silvio Santos, Hoje em Dia, da Record, e SuperPop, de Luciana Gimenez, exibindo bíceps impressionantes de até 73 centímetros de circunferência. O físico exagerado, que o comparava ao marinheiro dos desenhos animados, resultava de modificações radicais: injeções de óleo mineral e álcool nos braços e trapézio, além do uso de anabolizantes a partir dos 20 anos.
Tudo começou na adolescência, quando Arlindo malhava com o irmão, assassinado em um assalto. Motivados pela tragédia, ele intensificou os treinos e, influenciado por amigos do bairro, adotou as práticas extremas para ficar grande. Em entrevistas internacionais, como ao Huffington Post em 2014, ele admitiu os riscos, mas continuou, acumulando mais de 30 mil seguidores nas redes sociais, onde era lembrado como gente boa, prestativo e brincalhão.
Médicos sempre condenaram essas modificações. O óleo mineral pode causar gangrena, apodrecimento muscular e trombose, enquanto anabolizantes – hormônios sintéticos usados para ganho muscular – geram dependência, coágulos sanguíneos levando a AVC, infarto ou derrame, efeitos oncológicos como câncer de próstata, mama e tireoide, além de problemas psíquicos como agressividade, paranoia e alucinações. Outros riscos incluem acne, queda de cabelo, danos hepáticos, tumores no fígado, retenção de líquidos e pressão alta. O cardiologista Anis Mitri, presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde de São Paulo, alerta que o uso cria uma ilusão de maior disposição e recuperação muscular, mas os efeitos colaterais são incontroláveis, especialmente em doses altas.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia reforça que o anabolizante, sem supervisão médica, é um problema de saúde pública, com casos de complicações em ascensão. Em abril de 2023, o Conselho Federal de Medicina proibiu a prescrição de esteroides androgênicos para fins estéticos ou esportivos, por falta de comprovação científica de segurança. Familiares de Arlindo especulam que os problemas renais possam estar ligados ao óleo acumulado no corpo.
