# Mostra de Cinema de Tiradentes abre com celebração da “Soberania Imaginativa”
A 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes foi aberta nesta sexta-feira (23) em clima de celebração vibrante do cinema brasileiro, reunindo realizadores, produtores, artistas, representantes do poder público e jornalistas no Cine-Tenda. Apesar de uma chuva fina durante o dia, a trégua do tempo pareceu um sinal de boas-vindas para o público que lotou o espaço, ávido pelo início do evento que inaugura o calendário anual do audiovisual nacional.[1]
O evento segue até 31 de janeiro com programação gratuita que inclui 137 filmes de diversos estados brasileiros, divididos em mostras temáticas, competitivas e especiais, além de oficinas, workshops, debates, seminários e apresentações culturais.[5]
A coordenadora-geral da mostra, Raquel Hallak, abriu a cerimônia destacando o tema deste ano, **”Soberania Imaginativa”**, e o compromisso histórico do evento com a diversidade de vozes e linguagens. “Existe uma imaginação que emerge de muitos Brasis e propõe várias formas de existir. A mostra, desde que surgiu, decidiu apostar nesses novos protagonismos e possibilidades”, afirmou ela, defendendo a regulação das plataformas de streaming, a democratização das políticas públicas e o fortalecimento do cinema nacional como vetor econômico.[9]
Hallak aprofundou o conceito central: “O cinema brasileiro que vamos ver aqui é plural, diverso e inquieto: não se trata apenas de artistas individuais ou de filmes especiais. Há quase três décadas estamos assistindo à construção de um ecossistema criativo potente, forjado por múltiplos territórios, contextos, sujeitos, tecnologias e modos de fazer”. Ela alertou para a necessidade de políticas estruturantes, enfatizando que “não há soberania sem imaginação” e que “não há cinema forte sem financiamento, regulação democrática, preservação da memória, formação de públicos e acesso amplo às telas”.[9]
O ponto alto da noite foi a homenagem à atriz, roteirista e diretora **Karine Teles**, que recebeu o Troféu Barroco por uma trajetória de mais de duas décadas marcada por escolhas autorais, versatilidade e compromisso com a criação.[7] Emocionada e acompanhada da família, Karine discursou sobre os desafios do campo cultural no Brasil. “Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções. Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro”, disse ela. A Mostra Homenagem dedicada à artista inclui filmes como “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert.[7]
A recepção ao público começou às 20h no Cine-Lounge com apresentações da Banda Ramalho, seguida de shows da cantora Nath Rodrigues e discotecagem do DJ David Maurity.[1][2] Autoridades como a secretária de Cultura de Minas Gerais, Bárbara Botega, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, a secretária de Cultura de Belo Horizonte, Eliane Parreiras, o prefeito em exercício de Belo Horizonte, Juliano Lopes, e o prefeito de Tiradentes, José Antônio do Nascimento, foram chamadas ao palco para um gesto simbólico de reconhecimento.
A cerimônia encerrou com a **pré-estreia mundial** do curta-metragem “O Fantasma da Ópera”, de Julio Bressane e Rodrigo Lima, construído a partir de imagens captadas nos intervalos de filmagem do longa inédito “Pitico”, estrelado por Paulo Betti.[1] Antes da exibição, Bressane, que completa 80 anos em fevereiro, refletiu sobre o fazer cinematográfico: “O cinema que a gente vê e que continua existindo é feito por muitas pessoas. São muitas existências reunidas ali, enfrentando as dificuldades do cinema e também as dificuldades da própria imagem. Fazer cinema exige tempo, exige paciência. Sem paciência, nada se constrói, nada se sustenta”.[1]
A programação transforma as ruas de pedra, praças e casarões coloniais de Tiradentes em um ambiente vivo de exibições. Na Mostra Praça, filmes chegam a um público amplo, incluindo “Pequenas Criaturas”, vencedor do Festival do Rio 2025, e “Querido Mundo”, de Miguel Falabella.[1][5] Há espaço para o público infantil na Mostrinha, com títulos como “D.P.A. 4 – O Fantástico Reino de Ondion”, e iniciativas como a WIP Conexão Brasil CineMundi, que apresenta longas em fase final de produção.[1]
