Mudança climática pode aumentar frequência e intensidade de tornados

Um tornado de categoria EF3, com ventos que chegaram a 250 quilômetros por hora, devastou a cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, na noite de sexta-feira (7). Imagens aéreas mostram bairros inteiros destruídos, casas completamente arrasadas, postes tombados, veículos virados e um cenário de destruição generalizada. De acordo com dados da Defesa Civil, cerca de 90% da área urbana da cidade foi atingida, deixando seis pessoas mortas, duas desaparecidas e mais de 750 feridos. O governador do estado, Ratinho Junior, afirmou que o município enfrenta uma situação sem precedentes nos últimos 40 anos, com praticamente toda a população sem onde morar e estruturas essenciais, como silos, postos de gasolina e prédios comerciais, completamente destruídas.

O fenômeno meteorológico foi confirmado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), que classificou o tornado como de categoria EF3. Equipes do governo federal e estadual foram enviadas ao local para auxiliar nas buscas, resgates e no apoio às vítimas. O hospital de Laranjeiras do Sul, próximo à cidade atingida, ficou lotado, atendendo centenas de feridos, sendo que nove pessoas estão em estado grave. Um hospital de campanha foi montado para atender à demanda emergencial. O governo do Paraná decretou situação de calamidade pública no município, e o governador estuda decretar estado de emergência para facilitar a reconstrução.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, afirmou que o desastre no Paraná deveria servir como alerta de “desespero e urgência” para as autoridades reunidas na Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-30), que começa na próxima segunda-feira (10). Segundo Astrini, o que aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu é mais uma repetição do que vem ocorrendo em diversas regiões do Brasil e do mundo, destacando que os últimos dez anos foram os mais quentes da história e que esses eventos extremos deveriam ser levados em conta nas discussões climáticas internacionais.

A oceanógrafa Renata Nagai, pesquisadora da Universidade de São Paulo, explica que tornados, como o ocorrido no Paraná, não acontecem apenas por causa das mudanças climáticas, mas o desequilíbrio do clima pode contribuir para que sejam mais frequentes e intensos. O aumento da temperatura e da umidade, provocados pelo aquecimento global, servem como combustível para eventos meteorológicos extremos. O professor Michel Mahiques, também da USP, reforça que as grandes diferenças de pressão, causadas por massas de ar com propriedades distintas, são favorecidas pelas mudanças climáticas, aumentando a possibilidade de ocorrência de tornados e outros fenômenos extremos.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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