Nº 2 do chavismo pede calma ao povo venezuelano após ataques dos EUA

O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, segundo homem mais poderoso do regime chavista após Nicolás Maduro, apareceu em vídeo na madrugada deste sábado cercado por militares armados, apelando à calma da população após um ataque aéreo atribuído aos Estados Unidos. Gravado antes do amanhecer e divulgado em canais estatais, o pronunciamento veio em meio a explosões na capital Caracas, que o governo venezuelano denuncia como uma agressão militar direta, com bombardeios atingindo áreas civis e prédios habitados.

Cabello, com tom firme e rodeado de tropas, conclamou o povo a confiar na liderança do alto comando político e militar. “Apelamos à calma entre o nosso povo. Confiem na liderança do alto comando político e militar, na situação que enfrentamos. Mantenham a calma, não deixem ninguém sucumbir ao desespero, não deixem ninguém facilitar as coisas para o inimigo invasor, o inimigo terrorista que nos atacou covardemente”, declarou o ministro, classificando o episódio como um ataque criminoso e covarde.

O vídeo surge no contexto de um suposto sequestro de Nicolás Maduro por forças especiais norte-americanas, anunciado pelo presidente Donald Trump como uma operação em grande escala para capturá-lo. A vice-presidente Delcy Rodríguez exigiu dos Estados Unidos prova de vida de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, cujo paradeiro permanece desconhecido. Cabello admitiu uma vitória parcial do governo Trump, mas enfatizou que o país permanece em completa calma. “O país está completamente calmo. O que eles tentaram fazer com as bombas e mísseis que lançaram, só conseguiram parcialmente. E digo parcialmente porque esperavam que o povo talvez se revoltasse, agisse com covardia. Aqui não há covardes”, afirmou.

O ministro chavista destacou a organização popular venezuelana e questionou a comunidade internacional sobre sua posição. “Aqui temos um povo organizado, um povo que sabe o que tem que fazer. Esperamos que o mundo se manifeste contra este ataque, ou vocês, organizações mundiais, organismos globais, reconhecerão publicamente sua cumplicidade neste ataque invasor? Diante do assassinato de civis, das bombas caindo sobre prédios, sobre lugares habitados por civis”, completou.

O episódio evoca memórias de intervenções passadas dos EUA na América Latina, como a invasão do Panamá em 1989, quando militares norte-americanos capturaram o ditador Manuel Noriega sob acusação de narcotráfico. Assim como no caso panamenho, Washington acusa Maduro de liderar o suposto cartel de narcotráfico “Cartel dos Sóis”, sem apresentar evidências concretas até o momento – uma narrativa questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas. O governo Trump havia oferecido uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.

Críticos veem na ação uma jogada geopolítica para isolar a Venezuela de aliados como China e Rússia, além de garantir maior controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O governo de Caracas decretou estado de exceção, enquanto o mundo observa tenso os desdobramentos dessa escalada inédita na região.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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