Novas metas de emissão reduzem em 17% impacto no clima

As atualizações das metas de emissão de gases de efeito estufa apresentadas por 64 países participantes do Acordo de Paris indicam uma potencial redução de 17% nos impactos das mudanças climáticas em relação às emissões de 2019. Na projeção para 2030, essa redução corresponde a 6% a menos do que o previsto nas metas anteriores. O Relatório Síntese das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), divulgado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), revela que, se essas novas NDCs forem cumpridas plenamente até 2035, poderão reduzir as emissões globais em 13 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e).

Embora as novas metas demonstrem uma progressão em termos de qualidade, credibilidade e abrangência econômica — com 89% dos países comunicando metas para toda a economia —, especialistas apontam que o principal desafio permanece: a urgência da crise climática não está sendo refletida na ambição das metas apresentadas. Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, destaca que uma redução de 17% está muito aquém dos 60% recomendados pela ciência para conter o aquecimento global. Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas do WWF-Brasil, alerta para o adiamento contínuo das ações climáticas, que acabam sendo transferidas para as gerações futuras. No entanto, ele valoriza a maior integração das medidas de adaptação dos centros urbanos aos planos de mitigação, especialmente ações baseadas na natureza, como a conservação de manguezais e florestas, que além de reduzir emissões, aumentam a resiliência das comunidades e promovem benefícios adicionais para a biodiversidade e recursos hídricos.

Na área financeira, 75% dos países que enviaram as novas NDCs destacaram a necessidade de soluções inovadoras e a cooperação internacional para destravar o financiamento climático, crucial para países em desenvolvimento implementarem suas metas. Gustavo Souza, diretor sênior da Conservação Internacional, enfatiza a importância de mecanismos como mercados de carbono de alta integridade, REDD+ e o Tropical Forest Forever Facility para garantir financiamento previsível à proteção da natureza. Apesar do reconhecimento das florestas como fundamentais para a solução climática — respondendo por um terço da mitigação global —, elas recebem apenas 3% do financiamento climático, apontando para um desequilíbrio que precisa ser corrigido.

O Brasil, escolhido como sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), tem buscado incentivar a entrega atualizada das NDCs pelos países. O país foi o segundo a entregar sua atualização, antecipando o prazo. Contudo, as 64 nações que apresentaram suas NDCs até o momento representam menos de um terço dos 198 signatários do Acordo, e não incluem grandes emissores como China e Índia. Gustavo Souza destaca que, a menos de duas semanas da COP30 em Belém, é urgente que mais países submetam suas NDCs para demonstrar que a ambição coletiva está crescendo e que as metas do Acordo de Paris continuam viáveis.

O relatório também ressalta que as NDCs estão mais completas, agora incluindo não somente metas de mitigação, mas também elementos sobre adaptação, financiamento, transferência tecnológica, capacitação e abordagem de perdas e danos, refletindo de forma mais ampla os compromissos estabelecidos no Acordo de Paris.

Apesar dos avanços, especialistas reforçam que o ritmo das ações deve acelerar para evitar riscos ainda maiores para a biodiversidade e para a humanidade, sendo essencial que as metas climáticas se alinhem com a urgência científica do problema. A conservação da biodiversidade brasileira, por exemplo, depende diretamente do cumprimento das metas do Acordo de Paris, podendo reduzir pela metade o número de espécies ameaçadas de extinção se os compromissos forem honrados. A natureza, portanto, além de parte do problema, representa uma das principais soluções para fortalecer a resiliência social e ambiental frente às alterações climáticas.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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