Novo salário mínimo injetará R$ 81,7 bi na economia, estima Dieese

O novo salário mínimo de R$ 1.621, previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026 e com pagamentos iniciando em fevereiro, injetará R$ 81,7 bilhões na economia brasileira, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esse impacto considera os efeitos sobre a renda, o consumo e a arrecadação, mesmo em um cenário de restrições fiscais mais rígidas impostas pelo arcabouço fiscal.

Cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos diretamente influenciados pelo piso salarial. Desses, 29,3 milhões são aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 17,7 milhões são empregados com carteira assinada, 10,7 milhões atuam como trabalhadores autônomos, 3,9 milhões são empregados domésticos e 383 mil são pequenos empregadores. O reajuste nominal chega a 6,79% em relação ao valor atual de R$ 1.518, representando um ganho de R$ 103 por mês.

O cálculo segue a Lei 14.663, de agosto de 2023, que estabelece a correção anual com base na variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior e no crescimento do PIB de dois anos antes. Para 2026, aplica-se integralmente a inflação pelo INPC, acumulada em 4,18% de dezembro de 2024 a novembro de 2025, mas o ganho real do PIB de 2024, que foi de 3,4%, fica limitado a 2,5% pelo teto do novo regime fiscal definido pela Lei Complementar 200/2023. Caso a regra anterior estivesse em vigor, sem essa limitação, o salário mínimo alcançaria R$ 1.636, com injeção de R$ 93,7 bilhões na economia.

Nos contas públicas, o reajuste gera desafios significativos. O Dieese estima um aumento de R$ 39,1 bilhões nas despesas da Previdência Social em 2026, já que 70,8% dos beneficiários recebem valores atrelados ao mínimo e 46% dos gastos previdenciários são diretamente impactados. Cada R$ 1 de elevação no piso adiciona R$ 380,5 milhões em custos anuais para o governo, afetando também benefícios como abono salarial, seguro-desemprego e BPC (Benefício de Prestação Continuada).

O governo enfrenta o equilíbrio entre os benefícios para a renda da população, que deve impulsionar o consumo em setores como comércio, transporte e serviços, e o controle das despesas obrigatórias para cumprir as metas fiscais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou o valor por decreto na quarta-feira, 24 de dezembro, reforçando a política permanente de valorização do salário mínimo, mas com alertas sobre pressões inflacionárias e espaço reduzido para investimentos públicos.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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