O que se sabe sobre venda do TikTok para Oracle, nos EUA

A consolidação da venda da empresa que controla a plataforma TikTok nos Estados Unidos, um dos maiores negócios da unicórnio chinesa ByteDance, deve ocorrer nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026. A operação, firmada sob forte pressão do governo americano, cria uma nova entidade chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, destinada a cumprir a lei de “divest-or-ban” aprovada em 2024, que exigia a desinversão dos ativos americanos para evitar uma proibição total.

A transação transfere o controle majoritário para investidores não considerados “adversários estrangeiros”, com ByteDance retendo apenas 19,9% das ações, o limite máximo permitido para escapar do veto. O consórcio inclui Oracle, que assume a gestão de dados e segurança do algoritmo; Silver Lake Management; e MGX, fundo ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos. Juntos, esses players detêm cerca de 45% a 50% do capital, enquanto 30,1% fica com afiliados de investidores atuais da ByteDance, como Susquehanna, General Atlantic e KKR. A nova estrutura governa áreas críticas como proteção de dados, moderação de conteúdos, segurança do algoritmo e integridade de software, com o algoritmo sendo reentrenado exclusivamente com dados de usuários americanos, sob auditoria da Oracle.

Estimada inicialmente em US$ 14 bilhões pelo vice-presidente James Vance, a operação pode superar os US$ 60 bilhões, segundo analistas. O TikTok, quarta maior plataforma dos EUA com 170 milhões de usuários, evita assim interrupções, após anos de tensão que remontam ao primeiro mandato de Donald Trump, com ordens executivas e prorrogações em 2025. Trump, em sua segunda gestão, impulsionou o acordo, que ignora apelos da ByteDance por transparência. A empresa destacava que 60% de seu capital é aberto a fundos internacionais, 20% pertence a empregados, incluindo 7 mil nos EUA, e 20% aos fundadores, como Zhang Yiming, com mínima participação estatal chinesa.

O governo de Pequim endossou o negócio para preservar relações comerciais, com o porta-voz do Ministério do Comércio, He Yongqian, afirmando em dezembro que busca uma solução conforme leis chinesas e equilibrada. ByteDance mantém direitos de propriedade intelectual sobre o algoritmo, licenciando-o à nova entidade por taxa, o que levanta dúvidas sobre influência residual de Pequim, especialmente nos lucros, estimados em até 50% para a matriz chinesa.

Especialistas veem paradoxos: os EUA invocam segurança nacional para controlar dados de sua população, afetando o livre mercado e a liberdade de expressão, sob pretexto neoliberal. Andressa Michelotti, pesquisadora da UFMG e da Universidade de Utrecht, critica o movimento como jogo de poder além dos dados. À frente da Oracle está Larry Ellison, apelidado de “brolygarch”, bilionário alinhado a Trump, ao lado de figuras como Elon Musk e Mark Zuckerberg. A ByteDance negou controle estatal, mas o acordo resolve temores de espionagem, blindando operações locais sem banir a app, que segue crescendo com e-commerce e eventos como os TikTok Awards.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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