Operação Alerta Lilás da PRF prende 83 por violência contra mulher

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu, entre os dias 3 e 10 de outubro de 2025, a maior operação já realizada em rodovias federais do país com foco exclusivo no combate à violência contra a mulher. Batizada de “Alerta Lilás”, em referência ao Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, a operação resultou na prisão de 83 pessoas, em todas as cinco regiões do Brasil, exceto no estado de Alagoas.

A estratégia inédita combinou inteligência policial, tecnologia e dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com isso, foi possível cruzar informações para identificar e localizar condenados com mandados de prisão em aberto por crimes contra mulheres, incluindo feminicídio, estupro, agressão, tentativa de homicídio e descumprimento de medidas protetivas. Diferentemente das abordagens tradicionais, a ação priorizou o monitoramento do fluxo de veículos em pontos estratégicos do país, como postos de combustível, áreas de descanso e praças de pedágio, direcionando o efetivo para interceptar fugitivos em trânsito.

A maioria das prisões envolveu o não pagamento de pensão alimentícia: foram 54 detidos nessa condição, crime que, embora de natureza patrimonial, aprofunda a vulnerabilidade de mulheres que passam a depender economicamente de agressores. “Muitas mulheres continuam sendo vítimas de violência, justamente pela dependência patrimonial”, enfatizou a diretora de Inteligência da PRF, Nádia Zilotti. Entre os demais crimes, destacam-se sete prisões por estupro de vulnerável, sete por crimes contra a vida (homicídio, feminicídio e tentativa de homicídio), seis por lesão corporal, cinco por descumprimento de medida protetiva, três por ameaça e violência doméstica, e um por apropriação indébita com violência patrimonial.

As prisões ocorreram principalmente em grandes rodovias como a BR-101, responsável por 14 detenções, além das BRs 364, 070, 163 e 230. A escolha dessas estradas levou em consideração a extensão e o fluxo de veículos, facilitando a fiscalização em pontos de grande movimentação nacional. Segundo o diretor-geral da PRF, Antonio Fernando Oliveira, “todos os crimes devem ser combatidos, mas os crimes contra as mulheres devem ser combatidos de forma prioritária porque é alguém mais vulnerável, com mais dificuldade de defesa”.

O uso de tecnologia permitiu que policiais de todo o país tivessem acesso em tempo real a informações sobre procurados, realizando abordagens rotineiras que só se tornavam prisões após a confirmação de mandados ativos. “A abordagem de alguém que está em viagem é muito diferente de quando os indivíduos estão nos centros urbanos”, explicou Zilotti. Em alguns casos, foram recuperados bens e apreendidos veículos ilegais, mas o foco da operação foi garantir que condenados por crimes contra mulheres não permanecessem impunes.

Apesar do avanço, autoridades reforçam que a subnotificação ainda é um grande obstáculo: estudos apontam que até 61% dos casos de violência contra a mulher não chegam a ser denunciados no Brasil, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero do Senado. Para aumentar o acesso à justiça, os canais de denúncia continuam disponíveis 24 horas, como a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180 e o chat via WhatsApp, além do contato de emergência da Polícia Militar no 190.

A “Alerta Lilás” representa um marco no enfrentamento à violência de gênero no Brasil, ampliando a atuação das forças de segurança nas estradas e mostrando que a impunidade para crimes contra mulheres não será mais tolerada.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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