Operação em terra indígena no Pará resulta em mais um assassinato

### Vaqueiro é assassinado em emboscada durante desintrusão na Terra Indígena Apyterewa, no Pará

São Félix do Xingu (PA) – Um vaqueiro contratado pelo Ibama foi morto a tiros em uma tocaia armada nesta segunda-feira (15) durante operação de desintrusão na Terra Indígena Apyterewa, no município de São Félix do Xingu, no Pará. O crime ocorreu enquanto equipes federais e estaduais cumpriam decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para retirar invasores e gado ilegal da área.

O trabalhador, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, participava da condução de cerca de 350 cabeças de gado por um ramal estreito na mata densa, rumo a um curral onde os animais estavam sendo retirados da região invadida. Ele foi atingido por um disparo à queima-roupa na altura do pescoço, em uma área conhecida como Linha 10, na estrada do “Capacete”. Recebeu os primeiros socorros no local e foi evacuado de helicóptero para o hospital de São Félix do Xingu, mas não resistiu aos ferimentos.

A emboscada pegou as equipes de surpresa em meio a uma das maiores operações integradas de desintrusão já realizadas na Amazônia. A ação faz parte da execução da ADPF nº 709, que determina a remoção de não indígenas e a apreensão de rebanhos mantidos irregularmente no território do povo Parakanã. No momento do ataque, doze policiais militares e quatro policiais civis estavam no local, com reforço imediato da Polícia Federal, que enviou vários agentes à terra indígena.

O Ibama emitiu nota oficial confirmando o incidente e repudiando a violência contra agentes públicos e colaboradores. O instituto lamentou a morte, expressou solidariedade à família da vítima e afirmou que medidas foram adotadas para investigar o crime, identificar os responsáveis e responsabilizá-los criminalmente. A operação, que envolve Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Abin, Força Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), concentra-se agora na retirada de cerca de 1,3 mil cabeças de gado espalhadas em aproximadamente 45 pontos dentro da TI Apyterewa – muitos remanescentes de ações iniciadas em 2023 ou reintroduzidos clandestinamente.

A Terra Indígena Apyterewa, com 773 mil hectares – área maior que o Distrito Federal –, é um dos territórios mais conflituosos da Amazônia. Habilitada ao povo Parakanã, ela sofre invasões recorrentes por pecuaristas, com mais de 100 mil hectares devastados, sendo 91 mil transformados em pastagem. Estimativas do Ibama e da Adepará apontam para até 60 mil cabeças de gado na época das invasões iniciais, impulsionando desmatamento e grilagem. O Ministério Público Federal investiga registros irregulares no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e casos de trabalho escravo na região, além de pecuaristas que teriam inserido dados falsos para ocultar a origem ilegal dos animais.

Imagens da operação mostram vaqueiros e agentes federais tocando o gado pela mata fechada, com currrais improvisados e equipamentos de apoio em meio à vegetação. Fotografias de Gilvan Alves/TV Brasil e Bruno Peres/Agência Brasil registram o esforço logístico, incluindo helicópteros e barreiras na área, destacando a tensão no terreno acidentado. A reocupação recente por indígenas Parakanã visa reforçar a vigilância e reflorestar o território, mas eleva os confrontos com invasores.

O caso reacende o debate sobre a segurança nas ações de proteção ambiental e indígena na região, onde a pecuária ilegal segue como principal vetor de conflitos e destruição florestal. As autoridades prometem continuidade da operação, com foco na apuração do assassinato e na pacificação definitiva da área.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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