Operação prende 233 agressores de mulheres no estado de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Ano Novo, Vida Nova, uma força-tarefa contra agressores de mulheres que resultou na prisão de 233 pessoas em todo o estado desde a noite de segunda-feira até a manhã desta terça-feira. Os agentes continuam cumprindo mandados judiciais ao longo do dia, com alvos envolvidos em crimes de violência doméstica e familiar.

O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou em coletiva de imprensa que o número de prisões deve aumentar, com viaturas ainda chegando de diversas regiões. A operação mobiliza quase 1,5 mil policiais e 450 viaturas, em uma ação coordenada pela Secretaria da Segurança Pública e pela Secretaria de Políticas para a Mulher. “Nós não vamos dar trégua, a defesa da mulher é prioridade da minha gestão”, afirmou Gonçalves.

A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, reforçou a importância da iniciativa: “Um homem preso significa uma mulher salva, uma família salva”. Até outubro, a Polícia Civil já havia detido 11 mil agressores no estado, e com as operações de novembro e dezembro, o total deve chegar a 13 mil.

A delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), enfatizou o impacto preventivo da ação. “Essa operação tem grande valia porque, ao tirarmos de circulação um condenado por crime contra a honra, injúria, calúnia ou vias de fato, estamos impedindo um possível crime mais grave”, disse ela. A operação conta com a participação das DDMs, de todos os departamentos de Polícia Judiciária do Interior e das seccionais da Capital. Cristiane Braga apelou às vítimas: “É importante que confiem na polícia, na Secretaria de Segurança e no Judiciário, e denunciem os casos para ações mais contundentes”.

A força-tarefa ocorre em meio ao aumento de feminicídios na capital paulista, que em 2025 registrou o maior número desde o início da série histórica, em abril de 2015. O feminicídio, homicídio de mulher por razões de gênero, com violência doméstica, menosprezo ou discriminação à condição feminina, é crime hediondo no Brasil, com pena de 12 a 30 anos de reclusão.

Um caso de grande repercussão ilustra a gravidade do problema: no final de novembro, Tainara Souza Santos, de 31 anos, foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, presa ao veículo do agressor. Ela sofreu mutilação grave nas pernas, foi socorrida e submetida a cirurgias, mas faleceu na noite de 24 de dezembro, deixando dois filhos. O autor, Douglas Alves da Silva, que teve um relacionamento breve com a vítima, foi preso no dia seguinte. O delegado Fernando Barbosa Bossa, responsável pela investigação, classificou o crime como tentativa de feminicídio, motivado por sentimento de posse e desprezo à condição de gênero, com requintes de crueldade e sem chance de defesa para a vítima.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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