A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, autorizou a criação do Parque da Serrinha do Paranoá, uma nova unidade de conservação, mas a área não abrange a gleba de 716 hectares, que foi listada como garantia de empréstimos para salvar o Banco de Brasília (BRB).
De acordo com a Associação Preserva Serrinha, os riscos ambientais aos córregos e ao Cerrado nativo na região norte de Brasília continuam presentes. Lúcia Mendes, diretora da entidade, destacou que o novo parque, com 65,9 hectares, não se sobrepõe à Gleba A, que ainda poderá ser transformada em área residencial para resgatar o banco estatal.
A criação do parque foi formalizada por decreto no Diário Oficial do Distrito Federal. Segundo o Governo do Distrito Federal, a unidade visa preservar recursos ambientais de relevância ecológica e paisagística, além de permitir atividades como pesquisa científica e turismo ecológico.
O parque inclui áreas estratégicas para a conservação hídrica, como a cachoeira do córrego Urubu e trechos de vegetação nativa do Cerrado. Entretanto, a área da Gleba A, crucial para a recarga hídrica do Lago Paranoá, permanece sem proteção.
A decisão de incluir a Gleba A como garantia para o BRB foi tomada pelo ex-governador Ibaneis Rocha e aprovada pela Câmara Legislativa do DF. A Secretaria de Comunicação do GDF ainda não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre a manutenção da Gleba A como garantia.
O Conselho Deliberativo da Área de Preservação Ambiental do Planalto Central publicou uma moção técnica em defesa de uma unidade de conservação integral para proteger a Gleba A. A região é considerada de múltiplos riscos ecológicos segundo o Zoneamento Econômico Ecológico do DF.
A Justiça Federal chegou a proibir a venda da área como medida de socorro ao BRB, mas a decisão foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do DF. O BRB enfrenta uma crise devido a prejuízos com a compra de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez, e a Polícia Federal investiga suspeitas de fraude.
