A Petrobras informou que pode reduzir o impacto da alta do petróleo no Brasil enquanto mantém a rentabilidade da companhia. Em um cenário de guerras e tensões geopolíticas que aumentam a volatilidade do mercado internacional de energia, a estatal reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil, conforme nota encaminhada à Agência Brasil.
A Petrobras destacou que é possível reduzir os efeitos da inflação global devido à alta do petróleo, considerando em sua estratégia comercial as melhores condições de refino e logística. Isso permite promover períodos de estabilidade nos preços, ao mesmo tempo que resguarda a rentabilidade de maneira sustentável, reduzindo a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro.
A empresa acrescentou que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões, mas segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira.
A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde trafegam cerca de 25% do petróleo mundial, têm elevado o preço do barril no mercado global, chegando a US$ 120 na segunda-feira. No entanto, após o presidente Donald Trump afirmar que a guerra estaria próxima do fim, os preços voltaram a cair, com o barril Brent sendo comercializado abaixo dos US$ 100, mas ainda acima dos US$ 70, valor médio antes do conflito.
Após o fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã com ataques “vinte vezes mais forte” que “tornarão praticamente impossível a reconstrução do Irã como nação” caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz.
A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, destaca que a capacidade da Petrobras de mitigar, ao menos em parte, os efeitos da alta do petróleo é possível porque a companhia abandonou, em 2023, a política de paridade do preço internacional (PPI), que determinava a revenda de acordo com os preços globais.
Ticiana explicou que a política da Petrobras acompanhava 100% a trajetória dos preços internacionais, mas agora considera fatores internos, o que dá uma margem de manobra à empresa. No entanto, ela ressaltou que a ação da Petrobras tem efeito limitado e temporário, especialmente porque o Brasil ainda é um grande importador de derivados, como gasolina e diesel, além de ter refinarias privatizadas.
Ela finalizou mencionando que a refinaria da Bahia, a Rlam, foi privatizada, o que reduz os mecanismos de controle de preços nessas refinarias em comparação com as que ainda pertencem à Petrobras.
