Policiais civis do Amazonas prenderam, em caráter preventivo, nesta sexta-feira (20), ao menos 13 pessoas suspeitas de integrar um esquema de tráfico de drogas montado por membros da facção criminosa Comando Vermelho (CV), com a participação de ocupantes de cargos públicos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Segundo os investigadores à frente da operação Erga Omnes, os suspeitos movimentaram em torno de R$70 milhões desde 2018, recorrendo a empresas de fachada para conferir aspecto legal ao dinheiro obtido com atividades criminosas.
Conforme a Agência Brasil apurou, entre os alvos da ação está a servidora Anabela Cardoso Freitas, investigadora da Polícia Civil, cedida para a Casa Civil municipal como assessora técnica. A prefeitura afirmou que não é alvo da operação e que qualquer servidor público investigado responderá individualmente por seus atos.
Outro alvo da ação policial é o auxiliar judiciário do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Izaldir Moreno Barros. A Corte informou que está adotando as medidas cabíveis no âmbito administrativo, reafirmando seu compromisso com a legalidade e integridade do Poder Judiciário.
O delegado Marcelo Martins destacou que o trabalho foi pautado nas provas constantes nos autos, que fundamentaram os pedidos de prisão dos envolvidos. Os suspeitos são investigados por formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, além de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
As investigações, iniciadas em agosto de 2025, revelaram que integrantes dos três Poderes estaduais auxiliavam os traficantes. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram transações financeiras de alto valor realizadas por servidores públicos suspeitos de participação no esquema.
A participação dos servidores facilitava o trânsito da organização criminosa por diferentes instituições públicas. Empresas de logística constituídas pelo grupo para fins ilícitos eram usadas para distribuir drogas em todo o território nacional, simulando atividades lícitas.
As drogas eram adquiridas em Tabatinga, e os valores transacionados por meio de empresas fantasmas do Amazonas e do Pará, para posterior distribuição em outros estados do Brasil. As empresas não apresentavam movimentações financeiras compatíveis com as atividades.
Até mesmo igrejas evangélicas eram usadas para dificultar a identificação do grupo. Um dos líderes da organização se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja localizada no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus.
