# Operação da Polícia Civil contra venda ilegal de camarotes no Morumbis
A Polícia Civil de São Paulo realiza na manhã desta quarta-feira uma operação contra um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, casa do São Paulo Futebol Clube. A ação cumpre quatro mandados de busca e apreensão direcionados a ex-dirigentes do clube e intermediários investigados por comercialização irregular de ingressos.
Entre os alvos da operação estão Mara Casares, ex-esposa do presidente afastado Júlio Casares que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto das categorias de base do clube. Rita Adriana, responsável pela comercialização irregular de um camarote, também é investigada. Durante os cumprimentos de mandado na residência de Mara Casares, foram apreendidos aproximadamente R$ 20 mil em espécie, além de documentação e um computador. Schwartzmann não foi encontrado em casa, pois estava viajando ao exterior.
A operação investiga um esquema que envolvia o camarote 3A do Morumbis, conhecido como “Sala Presidencial”, um espaço que não era comercializado oficialmente mas teve o uso cedido a intermediárias que cobravam valores pela venda de ingressos para shows no estádio. O caso veio à tona em dezembro quando Rita Adriana acionou judicialmente Carolina Lima Cassemiro, acusando-a de ter retirado 60 ingressos para um show da colombiana Shakira que seriam comercializados por R$ 132 mil, dos quais Adriana alegava ter recebido apenas R$ 100 mil.
Áudios obtidos pelo portal GE mostram Mara Casares e Douglas Schwartzmann pressionando Rita Adriana para que encerrasse a ação judicial, buscando evitar que a venda clandestina se tornasse pública. Nos áudios, ambos admitem a existência de um esquema de exploração do camarote. As defesas negam as acusações e afirmam que os áudios foram retirados de contexto.
O caso ganhou proporção política quando resultou no afastamento de Júlio Casares da presidência do São Paulo. Na sexta-feira anterior, o Conselho Deliberativo do clube votou pela destituição do presidente. O vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, assumiu o cargo interinamente. O afastamento de Casares ainda depende de aprovação em assembleia de associados do clube.
Além da questão dos camarotes, Casares é alvo de outras investigações conduzidas pela Polícia Civil. Uma delas apura o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Outra investigação tenta esclarecer 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões. A defesa de Casares afirma que as movimentações financeiras têm origem lícita e legítima.
Em nota, o clube afirmou ser vítima do caso e comprometeu-se em contribuir com as autoridades nas investigações. O Ministério Público de São Paulo mantém dois inquéritos abertos para apurar os acontecimentos.
