A Polícia Federal deflagrou nesta manhã de quarta-feira a segunda fase da Operação Compliance Zero, com foco nas investigações sobre o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As ações visam apurar crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro, com o objetivo de interromper a atuação do grupo investigado e recuperar ativos desviados.
Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, 15 mandados foram executados em Belo Horizonte, Contagem, Nova Lima e Sarzedo. As buscas atingem endereços ligados diretamente a Daniel Vorcaro, como os de seu pai, irmã e cunhado na capital paulista, além de alvos como o investidor Nelson Tanure e endereços na Avenida Faria Lima, polo financeiro da cidade. Durante as diligências, foram apreendidos carros de luxo, relógios e outros bens de alto valor.
Além das buscas, o STF determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, em medida para garantir a recuperação de ativos e dar prosseguimento às apurações. A investigação aponta para um esquema amplo de fraudes, incluindo a emissão de Certificados de Depósito Bancário com rendimentos irrealistas, de até 40% acima da taxa de mercado, além de captação de recursos via fundos de investimento e desvios para patrimônio pessoal de envolvidos. Estimativas da PF indicam prejuízos que podem chegar a R$ 12 bilhões ou mais em títulos falsos.
Essa é a segunda fase da operação, iniciada em novembro do ano passado, quando Vorcaro foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para a Europa em seu jatinho particular. Na ocasião, o ex-presidente do BRB também foi alvo, e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, alegando incapacidade de honrar compromissos e infrações às normas bancárias. Antes disso, em março, o BRB havia anunciado a intenção de comprar o banco por R$ 2 bilhões, mas o negócio foi rejeitado pelo BC em setembro. A falência da instituição gerou questionamentos no Tribunal de Contas da União, que apura possíveis falhas regulatórias e mantém o processo sob sigilo.
Vorcaro teve a prisão relaxada e cumpre prisão domiciliar. Em nota, sua defesa afirmou que ele colabora com as autoridades, atende a todas as medidas judiciais com transparência e permanece à disposição para esclarecimentos, reforçando o interesse no rápido encerramento do inquérito. A Polícia Federal destaca que as ações desta fase miram especialmente fundos de investimento usados nas fraudes, ampliando o escopo para além do banco em si, com indícios de pressão política sobre instituições financeiras para facilitar os esquemas.
