Portela celebra o batuque e o Príncipe do Bará no carnaval

A tradicional escola de samba Portela vai destacar no carnaval a história e as origens do batuque, uma das principais religiões de matriz africana no sul do Brasil. O enredo, intitulado ‘O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande’, explorará essa rica tradição cultural.

O batuque se junta a outras religiões afro-brasileiras, como o candomblé, a Jurema Sagrada, o tambor de mina, a umbanda e o Xangô de Pernambuco, formando um importante altar espiritual. O enredo da Portela destaca o Príncipe do Bará, identificado como Osuanlele Okizi Erupê, um líder religioso que adotou o nome Custódio Joaquim de Almeida no Brasil. Ele nasceu no século 19 no golfo da Guiné e faleceu em Porto Alegre na década de 1930.

Apesar das discussões acadêmicas sobre as datas e a origem nobre do Príncipe do Bará, o samba-enredo da Portela busca resgatar tradições africanas no Brasil. Segundo o Censo Populacional do IBGE de 2022, há uma proporção maior de praticantes de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul do que em estados como Rio de Janeiro e Bahia.

André Rodrigues, carnavalesco da Portela, explica que o objetivo é debater a descentralização da historicidade negra no Brasil, com foco no Rio Grande do Sul. O Príncipe Custódio é visto como um mediador entre a população negra e as elites políticas gaúchas, desempenhando um papel crucial na visibilidade e legitimação das religiões africanas na região.

O samba-enredo será interpretado por Zé Paulo Sierra, um portelense que realiza seu sonho de infância. Ele lembra sua paixão pela Portela desde os anos 1980 e expressa confiança na sua participação no desfile. A composição vencedora do concurso da Portela foi assinada por um grupo de autores, e Sierra defendeu o samba nas eliminatórias. O desfile da Portela ocorrerá na noite de domingo, 15 de fevereiro.

Fonte: Agência Brasil