Os eleitores portugueses acorreram às urnas neste domingo para escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que completou dois mandatos de cinco anos como presidente da República. A votação começou às 8h no horário local, equivalente a 5h em Brasília, e prossegue até as 19h no continente e na Ilha da Madeira, estendendo-se até as 20h nos Açores, ou 16h e 17h no horário brasileiro.
Até o meio-dia em Portugal, equivalente a 9h em Brasília, 21% dos eleitores já haviam depositado seu voto, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Este pleito marca um recorde histórico para eleições presidenciais presenciais no país, com 11 candidatos na disputa, o maior número já registrado. Nenhum deles é esperado para ultrapassar os 50% dos votos na primeira ronda, o que tornaria provável um segundo turno em 8 de fevereiro – o primeiro desde 1986.
As sondagens eleitorais apontam uma corrida acirrada e fragmentada, com imprevisibilidade no topo. Líderes como André Ventura, do partido populista Chega, que critica a “imigração excessiva” e ganhou força como segunda força no Parlamento, aparecem empatados ou próximos de António José Seguro, do Partido Socialista de centro-esquerda. Logo atrás, surgem Luís Marques Mendes, do PSD de centro-direita, o independente Henrique Gouveia e Melo, ex-coordenador da vacinação contra a Covid-19 e figura popular transversal, e José Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal. Pesquisas recentes, como as da Universidade Católica para RTP e Público, mostram Ventura e Seguro na faixa dos 23% a 24%, com os demais na casa dos 14%. Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, é a única mulher na disputa, mas com intenções de voto menores.
Vários candidatos e líderes políticos exerceram o direito de voto cedo e apelaram à participação. Luís Marques Mendes votou em Caxias e previu “grande participação”; Nuno Melo, do CDS-PP, votou no Porto e enfatizou a importância de conhecer as instituições; o primeiro-ministro Luís Montenegro, em Espinho, descreveu a eleição como “altamente disputada” e desafiadora para o futuro presidente; António José Seguro, nas Caldas da Rainha, mostrou confiança em alta afluência; Cotrim de Figueiredo, em Lisboa, disse estar “otimista”; Catarina Martins, também no Porto, chamou a democracia de “festa”; e Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, em Amarante, celebrou o debate elevado e a vontade popular de votar para reduzir a abstenção.
Mais de 11 milhões de eleitores estão inscritos, incluindo cerca de 218 mil que optaram pelo voto antecipado em mobilidade no domingo anterior, entre eles o próprio Marcelo Rebelo de Sousa. O vencedor tomará posse em 9 de março, data tradicional desde 1986.
Os resultados parciais devem começar a ser divulgados ainda neste domingo à noite, com escrutínio total esperado em breve pelo Ministério da Administração Interna.
