# Enamed: Palacios defende validade dos resultados mesmo com divergências em dados preliminares
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, defendeu nesta terça-feira (20), em entrevista à TV Brasil, a validade dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que analisou 351 cursos de medicina em todo o país. Desse total, cerca de 30% – ou 107 cursos – registraram desempenho insatisfatório, caracterizado por menos de 60% dos estudantes considerados proficientes, o que gera conceitos Enade 1 ou 2, insuficientes segundo o Ministério da Educação (MEC).
Palacios reconheceu uma divergência em dados preliminares enviados às instituições via sistema e-MEC em dezembro, mas enfatizou que o erro se limitou a um comunicado interno para validação de informações e não influenciou os cálculos finais de qualidade dos cursos. “A aplicação do número de estudantes que alcançaram proficiência saiu com resultados divergentes. Houve um erro aqui no Inep desse quantitativo. Mas esse dado não foi utilizado para qualquer cálculo dos indicadores de qualidade dos cursos”, explicou o presidente. Ele acrescentou que boletins individuais aos quase 90 mil participantes, resultados publicados para os cursos e o conceito Enade estão corretos, baseados na prova real aplicada.
As notas variam de 1 a 5, com 1 para até 39,9% de proficiência, 2 de 40% a 59,9%, e assim por diante até 5 para 90% ou mais. Os indicadores oficiais, disponíveis no site do Inep, incluem inscritos, participantes e proficientes, sem qualquer inconsistência, segundo Palacios. “Os resultados são válidos, estão corretos e não há qualquer intercorrência na publicação desses resultados”, reforçou.
Entidades representativas de faculdades privadas, como a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) e a Associação Nacional de Universidades Particulares (Anup), contestam a divulgação. Elas apontam sucessivas notas técnicas do Inep – como as NT 40, 42 e 19, emitidas entre dezembro e o fim de 2025 – que alteraram critérios metodológicos após o exame e o prazo de recursos em 17 de dezembro. Os dados preliminares enviados em dezembro divergem dos oficiais divulgados na segunda-feira (19), com mudanças que rebaixaram conceitos de alguns cursos de 3 para 2, sujeitando-os a punições. “Os dados não batem com os que foram divulgados ontem para a imprensa. O próprio MEC reconheceu a existência de inconsistências nas informações, ampliando o cenário de dúvidas e insegurança regulatória”, criticou a ABMES em nota.
A associação alega que a falta de vínculo entre microdados dos alunos e instituições, publicados sem identificação, impede a checagem e manifestações adequadas, comprometendo transparência e segurança jurídica. “É impossível garantir que os conceitos produzidos e divulgados pelo Inep estejam corretos”, argumentou a entidade, defendendo apuração criteriosa e suspensão de efeitos regulatórios até consolidação técnica.
Cursos com conceitos insatisfatórios enfrentam medidas cautelares do MEC, como restrição de vagas, impedimento de novos ingressos, suspensão do Fies e supervisão. Para amenizar o imbróglio, o Inep abrirá prazo de cinco dias a partir de segunda-feira (26) para que as instituições apresentem esclarecimentos e recursos sobre os cálculos. Palacios afirmou que o órgão apura internamente o erro no e-MEC, sem diagnóstico claro até o momento, mas insiste que os microdados comprovam a exatidão das notas finais. Ações judiciais estão em curso para barrar sanções e rever a metodologia do exame.
