Em uma carta dirigida ao povo dos Estados Unidos e àqueles que buscam a verdade, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o povo iraniano não nutre inimizade contra outras nações, incluindo os americanos, europeus e países vizinhos. O texto, publicado nesta quarta-feira (1º) em uma rede social, aborda intervenções estrangeiras sofridas ao longo da história e a luta contra o que chamou de distorções e narrativas fabricadas.
Pezeshkian destacou que o Irã é uma das civilizações contínuas mais antigas e, apesar de suas vantagens históricas e geográficas, nunca escolheu o caminho da agressão ou dominação. Ele criticou a presença militar dos EUA ao redor do Irã, afirmando que o país nunca iniciou uma guerra desde a fundação dos Estados Unidos. O presidente enfatizou que a resposta iraniana é fundamentada na legítima autodefesa.
O texto também menciona a deterioração das relações entre Irã e EUA após o golpe de Estado apoiado pelos americanos contra o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh, conhecido como Operação Ajax. Pezeshkian argumentou que o golpe desestruturou o processo democrático iraniano e semeou desconfiança em relação às políticas dos EUA.
O presidente iraniano observou que, apesar das pressões, o Irã se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica, com avanços em educação, tecnologia e infraestrutura. No entanto, ele ressaltou o impacto destrutivo das sanções e agressões sobre o povo iraniano.
Pezeshkian questionou se os interesses do povo americano estão sendo atendidos pela guerra e criticou a influência de Israel na escalada do conflito. Ele convidou os americanos a olharem além da desinformação e considerarem as contribuições dos iranianos na diáspora.
Os ataques combinados dos EUA e Israel ao território iraniano completaram um mês, sem perspectiva de acordo para encerrar o conflito. Entre os mortos está o líder supremo Ali Khamenei. O fechamento do Estreito de Ormuz elevou o preço do petróleo em 50%, e pesquisadores apontam riscos ambientais associados ao conflito.
Ainda nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação sobre a guerra, com transmissão ao vivo a partir das 22h (horário de Brasília).
