A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que os Estados Unidos não vão invadir o país para combater o tráfico de drogas, contrariando as declarações recentes do presidente norte-americano Donald Trump. Em uma postagem em rede social, Sheinbaum revelou ter telefonado para Trump nesta segunda-feira e mantido uma conversa produtiva sobre diversos temas, incluindo segurança com respeito às soberanias nacionais, redução do tráfico de drogas, comércio e investimentos.
A líder mexicana destacou que a colaboração e a cooperação em um contexto de respeito mútuo sempre geram resultados positivos. Trump havia afirmado publicamente, em entrevista à Fox News, que os Estados Unidos começariam ataques por terra contra os cartéis mexicanos, descrevendo o México como um país controlado por essas organizações criminosas. Ele lamentou o que chamou de situação triste no vizinho, ligando o problema ao fluxo de drogas como o fentanil, que causa dezenas de milhares de mortes por overdose anualmente nos EUA.
As ameaças de Trump surgem após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela pelas forças especiais americanas, operação que incluiu ataques navais contra narcotraficantes no Pacífico e no Caribe. O presidente dos EUA também estendeu alertas a Cuba, afirmando que a ilha não receberia mais petróleo e dinheiro da Venezuela e recomendando um acordo com Washington antes que fosse tarde. Em resposta, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel reafirmou a soberania de seu país, declarando que Cuba é uma nação livre e independente e que ninguém dirá o que fazer.
Sheinbaum rejeitou qualquer interferência militar estrangeira, enfatizando a cooperação bilateral já em curso, como a extradição de líderes de cartéis e ações contra o fentanil na fronteira. Os cartéis de Sinaloa e Jalisco Nova Geração, os mais poderosos do México, controlam territórios extensos e disputam rotas de drogas em meio a uma violência que ceifou mais de 30 mil vidas no ano passado. Analistas veem as declarações de Trump como retórica agressiva, sem indícios imediatos de plano operacional autorizado pelo Congresso americano.
