A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, endereçou uma carta pública ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propondo um relacionamento equilibrado e respeitoso, baseado na igualdade e sem ingerência externa. No documento, divulgado em suas redes sociais, ela convida o governo norte-americano a colaborar em uma agenda de cooperação para o desenvolvimento compartilhado, dentro da legalidade internacional e visando uma convivência comunitária duradoura.
Delcy Rodríguez enfatizou que os povos da região merecem paz e diálogo, não guerra, ecoando o posicionamento do ex-presidente Nicolás Maduro, capturado recentemente por forças especiais dos Estados Unidos em Caracas. “Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra. Esse sempre foi o predicamento do presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento. Essa é a Venezuela em que acredito, à qual dediquei minha vida”, escreveu ela. A missiva conclui reafirmando o direito da Venezuela à paz, ao desenvolvimento, à soberania e a um futuro próspero.
A carta surge em um contexto de tensão extrema após explosões em bairros de Caracas no sábado, seguidas da operação militar orquestrada pelos EUA que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, transferidos para Nova York. O governo Trump acusa Maduro de liderar um cartel de narcotráfico chamado “De Los Soles”, similar às alegações contra o ex-presidente panamenho Manuel Noriega em 1989, embora especialistas questionem a existência desse grupo sem provas apresentadas. O governo oferecia uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações sobre Maduro.
Trump, a bordo do Air Force One, respondeu de forma dura, afirmando que Washington está “a cargo” da Venezuela e exigindo “acesso total” ao país, incluindo a indústria petrolera, estradas e pontes para reconstrução. Ele prioriza o controle do petróleo – Venezuela detém as maiores reservas comprovadas do mundo, cerca de 17% do total global – antes de qualquer eleição ou transição plena. O presidente alertou Delcy Rodríguez: se ela não cooperar, enfrentará um preço “provavelmente mais alto que o de Maduro”, e não descartou um segundo ataque militar. Seu secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou que os EUA tutelarão o país até uma transição ordenada, focando em combater narcotráfico, presença iraniana e cubana, e garantir que o petróleo beneficie o povo, não adversários como China e Rússia.
A Suprema Corte de Justiça da Venezuela ordenou que Delcy assuma formalmente a presidência interina, com apoio do Exército, que não resistiu à captura de Maduro. Trump optou por ela em vez da oposição, como María Corina Machado ou Edmundo González, vendo-a como figura de estabilidade para evitar caos e assegurar interesses petroleros via PDVSA. Críticos, incluindo o ex-diplomata Diego Arria, questionam a legitimidade, argumentando que Delcy, conselheira chave de Maduro, representa continuidade da repressão e corrupção. Analistas veem na estratégia um pragmatismo para um governo fraco que aceite condições americanas, sob ameaça de embargo ou novas intervenções.
Enquanto venezuelanos estocam comida e combustível em pânico, Delcy mudou de tom desafiante para conciliador, sonhando com uma Venezuela potência unida, mas sob pressão de um plano americano que impõe acesso irrestrito aos recursos em troca de não escalada militar.
