A prévia da inflação oficial de janeiro registrou alta de 0,20%, uma desaceleração em relação aos 0,25% de dezembro, impulsionada principalmente pela queda na conta de luz e nas passagens aéreas. Com esse resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 acumula 4,5% em 12 meses, atingindo exatamente o teto da meta de inflação do governo, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta terça-feira. Dos nove grupos de produtos e serviços monitorados, habitação recuou 0,26%, puxada pela energia elétrica residencial, que caiu 2,91% e exerceu o maior impacto negativo no índice, equivalente a menos 0,12 ponto percentual. Essa redução decorre da mudança na bandeira tarifária da Agência Nacional de Energia Elétrica, que saiu da amarela, com custo extra de R$ 1,885 por 100 quilowatt-hora, para a verde, sem acréscimo para os consumidores.
No grupo transportes, houve queda de 0,13%, liderada pela passagem aérea, que barateou 8,92% em média, e pelo ônibus urbano, com recuo de 2,79%. Em Belo Horizonte, por exemplo, a tarifa zero aos domingos e feriados derrubou o preço em 18,26%. Apesar disso, os combustíveis subiram 1,25%, com etanol avançando 3,59%, gasolina 1,01%, gás veicular 0,11% e óleo diesel 0,03%, contribuindo com 0,05 ponto percentual para o índice, o maior impacto positivo. Para fevereiro, espera-se alívio com o anúncio da Petrobras de redução de 5,2% no preço da gasolina às distribuidoras.
Alimentação e bebidas acelerou para 0,31%, ante 0,13% em dezembro, com a alimentação no domicílio subindo 0,21% após sete meses de quedas. As maiores altas vieram de tomate, com 16,28%, batata-inglesa em 12,74%, frutas com 1,65% e carnes em 1,32%. Na contramão, leite longa vida caiu 7,93%, arroz 2,02% e café moído 1,22%. Saúde e cuidados pessoais liderou as altas, com 0,81%, seguido por comunicação em 0,73%, artigos de residência com 0,43%, vestuário e despesas pessoais em 0,28% cada, e educação com 0,05%.
O IPCA-15 antecede o IPCA oficial, usado como referência para a meta de inflação, com coleta de preços entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026, em 11 regiões metropolitanas: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. O índice considera famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, atualmente em R$ 1.621. O IPCA cheio de janeiro sai em 10 de fevereiro, abrangendo mais cinco localidades.
