O Ministério das Relações Exteriores do Catar manifestou profunda preocupação com o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em nota oficial, o país árabe pediu moderação e diálogo como o meio adequado para resolver todas as questões pendentes, reafirmando sua defesa à Carta das Nações Unidas e aos princípios do direito internacional, que preconizam a solução pacífica de controvérsias.
O comunicado destacou a disponibilidade do Catar para contribuir com qualquer esforço internacional em busca de uma solução pacífica imediata, sublinhando o compromisso em manter abertos os canais de comunicação com todas as partes envolvidas. Apesar de ser um aliado próximo dos Estados Unidos – onde o Catar sediou negociações recentes para um possível cessar-fogo na Faixa de Gaza entre Israel e Hamas, com participação americana –, Doha optou por uma postura crítica ao incidente na América Latina.
A economia do Catar, centrada na produção de petróleo e gás natural no Oriente Médio, ganha relevância no contexto da crise. O presidente americano Donald Trump justificou a invasão com acusações de narcotráfico contra o governo de Maduro, sem apresentar provas concretas, e anunciou que os Estados Unidos administrarão a Venezuela até uma transição segura. Ele também deixou claro que o setor petrolífero venezuelano, detentor das maiores reservas conhecidas do planeta, será controlado por empresas norte-americanas, ameaçando uma segunda onda de ataques em caso de resistência.
O ataque ocorreu na madrugada de sábado, com explosões em Caracas e em estados como Miranda, Aragua e La Guaira, atingindo alvos civis e militares, segundo o governo venezuelano. Trump confirmou a detenção de Maduro e Flores, que foram levados para Nova York, elevando tensões geopolíticas e alertando para impactos no mercado global de petróleo, além de possíveis fluxos migratórios na região, incluindo para o Brasil. A ação reacende debates sobre o poder americano no continente e o controle de recursos energéticos estratégicos.
