Fotos: Carlos Augusto
O Projeto +Proteção Quilombola, lançado recentemente pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh), chegou nessa terça-feira (24) ao município de Conde, no Litoral Sul paraibano, beneficiando mais duas comunidades: Gurugi e Ipiranga. O lançamento na cidade aconteceu no Mercado de Artesanato do Gurugi, onde as mulheres contempladas com o curso profissionalizante de Corte e Costura participaram ansiosas pelas aulas.
O Projeto objetiva qualificar as famílias das comunidades quilombolas para o mercado de trabalho através da oferta de cursos profissionalizantes, com 50 vagas e carga horária mínima de 30 horas, oferecidos em uma parceria com a Associação dos Quilombos da Paraíba e a contratação da Associação de Promoção do Desenvolvimento Local (APDL).
Além de Corte e Costura, há ainda as opções de curso de Artes Visuais (com foco em elementos da cultura local); Artesanato e Identidade Cultural Quilombola; Embelezamento (cabelo e unha) e Inteligência Artificial para Jovens. Em todos os cursos, existe um módulo sobre Assistência Social e Direitos Sociais.
Segundo a secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, Pollyanna Werton, o curso escolhido leva em consideração a necessidade e interesse de cada comunidade.
“Esses cursos foram dialogados com as comunidades e, aqui, elas entenderam que a vocação era Corte e Costura. Na verdade, algumas mulheres até tinham essas habilidades, mas precisavam se especializar, qualificar melhor os seus serviços para desenvolverem o empreendedorismo, tanto pegando serviços de fora em casa, como também se deslocando para trabalhar em oficinas de costura ou ateliês que precisam dessa mão de obra. Então, não é só um curso, não é só diplomar essas mulheres e sim diplomar entendendo a qualificação que o mercado de trabalho absorve”.
“E também se trata de uma reparação histórica, porque são quilombos e essas mulheres precisavam se habilitar para desenvolverem seus talentos e a costura é um deles”, explicou.
Adaiuza Lima, moradora do Quilombo Ipiranga, é um dos casos de mulheres que já tem conhecimento prático na arte da costura, porém, quer aprimorar a habilidade. “Conhecimento nunca é demais e a gente tem que buscar mais conhecimento com quem tem, porque às vezes a gente tem dúvidas de alguma confecção de peça, ou até mesmo um conserto”.
Já a dona de casa Maiane do Nascimento, da Comunidade Quilombola do Gurugi 1, disse não ter habilidade nenhuma com costura e está ansiosa para a oportunidade. “Não tenho noção nenhuma, nem mesmo de costura à mão. Vou aprender agora a costurar e esse curso vai me dar um levante”, afirmou.
Maria Vilma da Silva, que mora no Quilombo Ipiranga, lembrou que fazia reparos, porém não sabia confeccionar roupas e tinha muita vontade de aprender. “Sempre tive vontade de aprender a costurar, pois acho muito interessante pegar um pedaço de pano e transformar em uma roupa”, contou.
