O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPI) no Senado, apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), detalha a conexão entre facções criminosas e milícias com operações do mercado financeiro para lavagem de dinheiro.
Vieira destacou que grupos criminosos utilizam tanto criptoativos quanto o sistema financeiro formal para ocultar a origem ilícita de seus bens. O caso do Banco Master foi citado como exemplo de como o sistema financeiro é usado para lavar dinheiro do crime organizado no Brasil.
O relatório aponta que a lavagem de dinheiro é um mecanismo central de sustentação do crime organizado, que usa mercados lícitos para reciclar dinheiro do tráfico de drogas e armas. A infiltração em setores como tabaco, ouro e mercado imobiliário demonstra a sofisticação empresarial do crime organizado.
Ainda em discussão, o relatório precisa ser aprovado pela CPI do Crime Organizado. Alessandro Vieira defendeu que o combate ao crime deve incluir ações sobre cadeias econômicas que financiam essas estruturas, além de destacar a importância de aumentar a fiscalização de armas e munições no país.
O senador também abordou o papel das plataformas digitais na criminalidade, destacando que redes sociais são usadas para aliciamento e exploração de crianças. A SaferNet Brasil registrou um aumento significativo em denúncias de abuso sexual infantil online.
O relatório destacou ainda o déficit no sistema prisional brasileiro e a falta de efetivo nas forças de segurança, o que compromete a capacidade do Estado de combater o crime organizado. Foram solicitados indiciamentos de ministros do STF e recomendada uma intervenção federal no Rio de Janeiro devido à infiltração do crime no poder público local.
