Relatório da Oxfam aponta que governos optam por defender a riqueza

# Novo Relatório da Oxfam Denuncia Priorização da Riqueza dos Bilionários pelos Governos

Um novo relatório da Oxfam, lançado por ocasião do Fórum Econômico Mundial de Davos 2026, denuncia que governos ao redor do mundo estão priorizando a proteção da riqueza e do poder político dos bilionários em detrimento da dignidade material, da voz política e das liberdades civis da maioria da população. Intitulado “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários”, o documento alerta para uma escolha equivocada dos líderes: defender a acumulação de fortunas imensas em vez de redistribuir recursos e enfrentar a indignação popular com a vida cada vez mais inacessível e insuportável.

Os dados revelam um contraste alarmante. Em 2025, a riqueza dos bilionários cresceu 16%, três vezes mais rápido que a média dos últimos cinco anos, alcançando o recorde histórico de US$ 18,3 trilhões. O número de bilionários superou 3 mil pela primeira vez, com um aumento de US$ 2,5 trilhões apenas no último ano — valor equivalente à riqueza total da metade mais pobre da humanidade, cerca de 4 bilhões de pessoas. Enquanto isso, a redução da pobreza global praticamente estagnou, com um novo aumento na África. Em 2022, quase metade da população mundial, ou 3,83 bilhões de pessoas, vivia em pobreza, e uma em cada quatro enfrentava insegurança alimentar moderada ou grave, um índice que subiu 42,6% entre 2015 e 2024.

O relatório aponta para uma concentração de poder político. Os super-ricos não só acumulam fortunas imensas, mas usam esse dinheiro para moldar regras econômicas, influenciar políticas e controlar instituições. Em contrapartida, aqueles com menos recursos tornam-se “politicamente pobres”, vítimas de autoritarismo crescente, repressão a protestos e erosão de direitos civis. A Oxfam estima que bilionários têm 4 mil vezes mais chances de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns. Sessenta por cento da riqueza bilionária atual provém de heranças, monopólios ou conexões poderosas, perpetuando uma nova aristocracia.

No Brasil, o cenário é emblemático da desigualdade regional. O país lidera a América Latina e o Caribe com 66 bilionários, que concentram US$ 253 bilhões — a maior fortuna da região. Esse acúmulo convive com um sistema tributário regressivo, que onera consumo e trabalhadores, especialmente mulheres, negros e famílias pobres, enquanto rendas altas e capital são sub-tributados. Apesar de avanços na reforma do Imposto de Renda, como isenções para baixas rendas e tributação mínima sobre os ricos, a Oxfam cobra taxação de dividendos, grandes fortunas e heranças. “A desigualdade não é fatalidade, mas resultado de escolhas políticas. Quando poucos concentram tanta riqueza e pagam menos impostos, toda a sociedade perde”, afirma Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil.

O diretor executivo da Oxfam Internacional, Amitabh Behar, reforça o alerta: os governos optam por agradar a elite, reprimindo direitos enquanto a lacuna cria um “déficit político perigoso e insustentável”. O relatório critica exemplos como a gestão de Donald Trump nos EUA, com cortes tributários para ricos e incentivo à inteligência artificial, e projeta pelo menos cinco trilionários em uma década se as tendências persistirem.

A Oxfam apresenta que governos podem escolher defender as pessoas comuns contra oligarcas, e movimentos organizados da sociedade oferecem contrapeso à extrema riqueza. O documento completo está disponível no site da organização.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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