O primeiro ano após uma edição de Jogos Olímpicos costuma ser de renovações, recomeços e arranjos para um novo ciclo que apenas se inicia. Neste contexto, 2025 reservou muitos campeonatos mundiais em modalidades olímpicas e, entre caras novas e nomes conhecidos, os atletas brasileiros tiveram desempenho destacado, somando 20 medalhas em competições mundiais, com seis ouros, dez pratas e quatro bronzes.
O Prêmio Brasil Olímpico, realizado recentemente no Rio de Janeiro, coroou dois nomes que se sagraram campeões do mundo este ano. Entre as mulheres, Maria Clara Pacheco, do taekwondo, levou o troféu após conquistar o ouro na categoria até 57 quilos no Mundial disputado em Wuxi, na China. A paulista de 22 anos, que também esteve nos Jogos de Paris 2024, é agora a número 1 do ranking mundial e olímpico. Entre os homens, Caio Bonfim, da marcha atlética, foi bicampeão do prêmio, repetindo o feito de 2024. O brasiliense venceu os 20 km e ficou com prata nos 35 km no Mundial de Atletismo em Tóquio, no Japão, tornando-se o atleta brasileiro com mais medalhas em Mundiais, quatro no total, e entrando na lista dos maiores medalhistas da história do evento.
No boxe, o Brasil viu surgir a sucessora de Bia Ferreira, que migrou para o circuito profissional. A carioca Rebeca Lima, de 25 anos, subiu ao lugar mais alto do pódio no Mundial em Liverpool, na Inglaterra, na categoria até 60 quilos – a mesma que Bia venceu em 2019 e 2023. A conquista de Rebeca foi celebrada como o início de uma nova era para a modalidade no país.
Outros atletas chegaram perto da coroa mundial e fecharam o ano com saldo positivo. O mesatenista Hugo Calderano foi vice-campeão no Mundial no Catar, mas venceu a prestigiada Copa do Mundo na China, somou três títulos em etapas do circuito mundial e, ao lado da namorada Bruna Takahashi, alcançou o sexto lugar no ranking global de duplas mistas. Na ginástica rítmica, o Brasil sediou o Mundial no Rio de Janeiro e conquistou sua primeira medalha histórica em um Campeonato Mundial adulto: a equipe formada por Nicole Pircio, Maria Paula Carminha, Eduarda Arakaki, Sofia Madeira e Mariana Gonçalves ficou com prata na disputa geral e na série mista.
Henrique Marques, de 21 anos, também brilhou no taekwondo, conquistando ouro na categoria até 80 kg, enquanto nomes como Yuri Falcão e Isaias Ribeiro subiram ao pódio no boxe, e Shirlen Nascimento no judô. No surfe, após um ano sem título brasileiro, Yago Dora voltou ao topo com o caneco da WSL, juntando-se a Gabriel Medina, Adriano de Souza, Ítalo Ferreira e Filipe Toledo como campeões mundiais masculinos – o oitavo título do Brasil nas últimas 11 edições.
João Fonseca, no tênis, confirmou as expectativas aos 19 anos: saltou da 145ª para a 24ª posição no ranking da ATP, com títulos em Buenos Aires, na Argentina, e na Basileia, na Suíça, além de vitórias sobre top 25. No vôlei de praia, a dupla Carol e Rebecca ficou com bronze no Mundial.
Esportes coletivos tiveram resultados mistos. A seleção feminina de vôlei ficou com bronze na Tailândia, adiando o título inédito, enquanto os homens foram eliminados na primeira fase. No handebol, ambos os naipes pararam nas quartas de final, mas o time masculino alcançou o sétimo lugar, sua melhor colocação histórica.
O ano reforça o protagonismo brasileiro no esporte olímpico, com novos talentos e veteranos pavimentando o caminho para Los Angeles 2028, em um calendário repleto de Mundiais que testou e aprovou a renovação da base.
