Países-membros da Organização dos Estados Americanos se dividiram profundamente nesta terça-feira ao comentar a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores. A reunião extraordinária do Conselho Permanente, realizada em Washington, expôs a polarização política no continente, sem negociações formais, documentos ou decisões, apenas com manifestações individuais de representantes.
A intervenção americana ocorreu no último sábado, com bombardeios em Caracas que mataram integrantes das forças de segurança venezuelanas e culminou na remoção forçada de Maduro e Cilia Flores para Nova York, onde o presidente venezuelano responderá a acusações de ligações com o tráfico internacional de drogas, segundo o governo dos Estados Unidos.
Governos alinhados aos Estados Unidos, como os da Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, defenderam abertamente a operação militar. O embaixador argentino, Carlos Bernardo Cherniak, elogiou a determinação do presidente americano, afirmando que os acontecimentos representam um avanço decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região. Já a embaixadora equatoriana, Mónica Palencia, destacou que a paz se constrói com ações decididas e concretas, solidarizando-se com as vítimas da ditadura venezuelana, que espera ver chegar ao fim.
Em contraste, representantes do Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras condenaram veementemente a ação, defendendo a soberania nacional, o direito internacional e soluções diplomáticas multilaterais para a crise. O embaixador brasileiro Benoni Belli foi enfático: os bombardeios e o sequestro do presidente ultrapassam uma linha inaceitável, representando uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e um precedente perigoso para a comunidade internacional. Ele alertou que agressões militares evocam tempos ultrapassados, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo, e que os fins não justificam os meios, sob risco de colapso da ordem internacional.
O embaixador mexicano, Alejandro Encinas, classificou o episódio como uma agressão unilateral que demanda reflexão hemisférica responsável, apegada ao direito internacional, para preservar democracia, paz e estabilidade na região. A Venezuela, apesar de membro da OEA, não teve representante para manifestação oficial na reunião, refletindo seu limbo institucional na organização após anos de conflitos.
O secretário-geral da OEA defendeu diálogos para paz e estabilidade, colocando o corpo técnico da entidade à disposição para transparência em eventuais processos eleitorais na Venezuela, enquanto criticava implicitamente a intervenção por ultrapassar limites aceitáveis. A divisão reflete tensões hemisféricas mais amplas, com aliados de Maduro, como Rússia e China, ecoando condenações em fóruns como a ONU, e o Brasil reafirmando compromisso com processos políticos inclusivos liderados pelos venezuelanos, livres de interferências externas.
