Rio: Cordão do Boitatá estreia no circuito dos megablocos do carnaval

O Cordão do Boitatá, criado por estudantes e músicos em 1996, comemora 30 anos de carnaval neste 19 de janeiro, com ensaio geral no Circo Voador. O grupo reúne suas orquestras de rua e de palco, enquanto homenageia seus padroeiros: o compositor Pixinguinha, patrono da Orquestra de Rua, e São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, celebrado no dia 20 de janeiro.

O ano de 2026 marca a estreia do Cordão do Boitatá no Circuito Preta Gil, na Rua Primeiro de Março, no centro do Rio. A concentração está marcada para as 7h, com trajeto pela Avenida Presidente Antônio Carlos até a dispersão na altura da Rua Araújo Porto Alegre. O desfile ocorre no domingo, 8 de fevereiro, com estimativa de mais de 50 mil foliões. Uma semana depois, no domingo 15 de fevereiro, o Cordão realiza seu 20º Baile Multicultural na Praça XV.

A inclusão no circuito dos megablocos ocorre após decisão conjunta entre o bloco e a prefeitura do Rio, por meio da Empresa de Turismo do Município (Riotur), depois de pleiteios de muitos anos. Com orquestra de mais de 250 músicos, o grupo necessitava de espaço adequado. Após a demolição do Elevado da Perimetral, entre 2013 e 2014, o bloco deixou de desfilar na Praça XV e passou por ruas como Henrique Valadares e Assembleia. No ano passado, com auxílio de drones, o Cordão apresentou à Riotur comprovação visual de mais de 40 mil pessoas no cortejo.

“É uma forma da brincadeira pé no chão ter o seu espaço também no carnaval, no centro do Rio”, afirmou Kiko Horta, diretor musical e um dos fundadores do grupo.

O Cordão do Boitatá tem quase 400 integrantes entre músicos, pernaltas, baianas e estandartes. Único entre os megablocos sem trio elétrico ou carros de som, mantém modelo independente e sem patrocínio de grandes marcas. A orquestra executa arranjos originais de compositores como Moacir Santos, Villa-Lobos, Pixinguinha, Maestro Duda e Braguinha, com gêneros como samba, marchas, afoxés, frevos e outras expressões populares.

No carnaval de 2026, o bloco homenageia o compositor, poeta e produtor musical Hermínio Bello de Carvalho e o compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal, entre outros nomes da música nacional. Sem fantasia definida, Kiko Horta indica que o público expressará reflexões sobre acontecimentos contemporâneos, incluindo fatos que marcaram o Brasil e o mundo neste início de 2026.

A alegoria central é a cobra de fogo, inspirada na lenda do Boitatá. A serpente desperta com olhos e corpo em labaredas, iluminando a mata e protegendo a natureza contra caçadores e lenhadores. A figura aparece em estandartes e fantasias.

Em 2022, o Cordão do Boitatá e o Baile Multicultural foram reconhecidos como patrimônios culturais de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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