Rio: crime organizado teve mais de R$ 900 milhões bloqueados em 2025

O Ministério Público do Rio de Janeiro encerrou 2025 com resultados expressivos no combate financeiro às organizações criminosas que atuam no estado. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) requereu ao Judiciário o bloqueio de R$ 906.265.077,21 em recursos vinculados a pessoas e grupos criminosos, estratégia que qualificou métodos de investigação, ampliou o intercâmbio de informações sobre crimes financeiros nacionais e transnacionais e fortaleceu parcerias, como o Acordo de Cooperação Técnica com a Polícia Civil, firmado em março de 2024, para intensificar o confisco de bens em investigações patrimoniais.

De acordo com a coordenadora do Gaeco, promotora de Justiça Letícia Emile Alqueres Petriz, o impacto dessas ações transcende os números financeiros. “A asfixia financeira das organizações criminosas atinge o núcleo de sustentação, enfraquecendo a capacidade de operação e expansão. A atuação do Gaeco é estrategicamente orientada para minar o poder econômico desses grupos, especialmente por meio da investigação patrimonial e da aplicação do confisco alargado, que permite retirar da criminalidade os recursos obtidos de forma ilícita e impedir sua reinserção no circuito econômico”, afirmou a promotora.

Ao longo do ano, o Gaeco ajuizou 70 denúncias contra 767 pessoas, incluindo 120 agentes públicos, e obteve ordens judiciais que subsidiaram 39 operações com mandados de prisão e busca e apreensão. Entre as principais ações, destacam-se buscas contra investigados pelo homicídio do advogado Rodrigo Crespo; prisões e apreensões contra integrantes de organização que furtava petróleo bruto dos dutos da Transpetro, com atuação no Rio de Janeiro e em Minas Gerais; e participação em operações conjuntas, como a Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo contra esquema bilionário de adulteração e distribuição irregular de combustíveis.

Foram denunciados nove integrantes do chamado novo “Escritório do Crime”, incluindo três policiais militares; membros da nova cúpula do jogo do bicho, como Rogério de Andrade, Flávio da Silva Santos, conhecido como “Pepé” ou “Flávio da Mocidade”, e Vinicius Drumond; além de 67 integrantes da facção Comando Vermelho. Servidores públicos também foram alvos por peculato, corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e ligações com milícias, com denúncias contra 22 agentes do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), acusados de incitar depredações no Centro de Socioeducação Ilha do Governador; contra servidores e engenheiros do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) por corrupção em licenças ambientais irregulares; e contra três bombeiros militares de Cabo Frio e dois ex-secretários de Silva Jardim por fraudes em licenças e licitações.

O Gaeco ainda obteve decisões judiciais favoráveis em medidas cautelares, como a manutenção do contraventor Rogério de Andrade no Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul; a permanência do miliciano Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, no Presídio Federal de Brasília; e a confirmação em segunda instância da pronúncia que leva o bicheiro Bernardo Bello e Wagner Dantas Alegre a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo homicídio de Alcebíades Paes Garcia, o Bid, irmão de Waldemir Paes Garcia, o Maninho, ambos assassinados em circunstâncias ligadas ao crime organizado.

No ambiente digital, a promotora Letícia Petriz destacou a criação do CyberGaeco como passo estratégico para modernizar as investigações frente à expansão das práticas criminosas online. “A criação do CyberGaeco representa passo estratégico para a modernização das investigações, diante da crescente atuação das organizações criminosas no ambiente digital. A experiência de outros ministérios públicos com estruturas semelhantes demonstra que a especialização é fundamental para ampliar a efetividade das apurações, especialmente em crimes que envolvem tecnologia, criptomoedas e lavagem de dinheiro”, explicou.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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