A expectativa de um domingo com temperaturas próximas dos 39ºC no Rio de Janeiro reacendeu o alerta das autoridades para os efeitos do calor extremo sobre a população fluminense. Depois de alguns dias com clima mais ameno, a capital e municípios da região metropolitana voltaram a registrar forte elevação nos termômetros, em um cenário associado à atuação de um sistema de alta pressão atmosférica, que inibe a formação de nuvens e chuvas e favorece o céu aberto e o abafamento.
Na sexta-feira (9), a cidade do Rio atingiu, às 9h45, o segundo nível do Protocolo de Calor, o CALOR 2, acionado quando a temperatura ultrapassa 36°C por um ou dois dias consecutivos, por pelo menos quatro horas. Esse é o segundo de cinco estágios previstos no protocolo, adotado para orientar ações de monitoramento e prevenção em períodos de calor intenso. A classificação indica uma situação de atenção, com reforço das recomendações de saúde, embora ainda sem mudanças drásticas na rotina urbana, como suspensão de atividades ao ar livre ou alterações no funcionamento de serviços.
Com a previsão de altas temperaturas ao longo do fim de semana e no início da próxima semana, a preocupação não se restringe apenas à capital. Entraram em nível de alerta severo os municípios de Belford Roxo, Japeri, Maricá, Piraí, Queimados, São Gonçalo, Seropédica, Nova Iguaçu, Guapimirim e Itaguaí. A expectativa é de que a cidade do Rio passe a integrar essa lista a partir de segunda-feira (12), caso o forte calor persista. O alerta severo serve de referência para que as defesas civis municipais, unidades de saúde e outros órgãos públicos se mobilizem para reduzir riscos, especialmente entre grupos considerados mais vulneráveis, como idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
O avanço do calor amplia o contraste com o início da semana, quando a máxima ficou na casa dos 26°C em alguns pontos da cidade. Agora, o prognóstico é de dias seguidos com índices de calor elevados, combinando temperatura alta e umidade, o que eleva a sensação térmica e aumenta a possibilidade de problemas de saúde, como desidratação, exaustão pelo calor e agravamento de quadros cardíacos e respiratórios. Especialistas observam que ondas de calor, antes tratadas como episódios pontuais, vêm se tornando mais frequentes e intensas, o que exige planejamento específico das grandes cidades para mitigar danos à população.
Diante desse cenário, as autoridades de saúde reforçam as orientações para que a população adote medidas de proteção ao longo de todo o dia. A secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, destaca que é fundamental manter boa hidratação, com ingestão regular de água, mesmo sem sentir sede, e dar preferência a roupas claras, leves e arejadas. Ela também recomenda evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes, entre 10h e 16h, período em que a radiação é mais intensa e o risco de insolação e queimaduras aumenta.
Quando não for possível adiar compromissos e deslocamentos nesse intervalo, a recomendação é buscar alguma forma de barreira física contra o sol, como bonés, chapéus de aba larga e óculos escuros, além do uso de protetor solar nas áreas expostas da pele. Permanecer em locais ventilados, com sombra ou climatização, é outra medida indicada para reduzir o estresse térmico sobre o organismo. Profissionais de saúde orientam ainda que se evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e muito açucaradas, que podem facilitar a desidratação, e que se dê preferência a refeições leves, ricas em frutas e verduras.
As autoridades também chamam atenção para os cuidados com crianças, idosos, pessoas com doenças crônicas e moradores de áreas com menor ventilação, como comunidades densamente povoadas e regiões com pouca arborização. Nesses grupos, os efeitos do calor extremo podem surgir mais rapidamente, com sintomas como tontura, dor de cabeça, náusea, cansaço intenso e sensação de falta de ar. A orientação é buscar atendimento médico diante de qualquer mal-estar persistente, sobretudo em dias consecutivos de temperatura elevada.
Com a perspectiva de manutenção do calor forte nos próximos dias, o Protocolo de Calor permanece como ferramenta central na organização da resposta do poder público. Enquanto os termômetros se aproximam dos 39ºC, a preocupação das autoridades é combinar a vigilância meteorológica com informação clara à população, na tentativa de atravessar mais um episódio de calor extremo com o menor impacto possível sobre a saúde dos moradores do estado.
