O novo salário mínimo de R$ 1.621 começou a valer nesta quinta-feira, 1º de janeiro de 2026, representando um reajuste de 6,79% ou R$ 103 em relação ao valor anterior de R$ 1.518. A medida foi confirmada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento no dia 10 de dezembro, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que registrou variação de 0,03% em novembro e acumulado de 4,18% em 12 meses.
A fórmula de cálculo segue a regra estabelecida pela Lei nº 14.663/2023, que combina a correção pela inflação medida pelo INPC do período de dezembro de 2024 a novembro de 2025 com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. O IBGE revisou os dados de 2024, confirmando expansão de 3,4%, mas o arcabouço fiscal, definido pela Lei Complementar nº 200/2023, limita o ganho real acima da inflação a um intervalo entre 0,6% e 2,5%. Assim, o valor calculado chegou a R$ 1.620,99, arredondado para R$ 1.621 conforme previsto em lei.
De acordo com estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o reajuste injetará R$ 81,7 bilhões na economia em 2026, considerando impactos na renda, no consumo e na arrecadação, mesmo em um cenário de restrições fiscais mais rígidas. Cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos atrelados ao piso nacional, o que deve aquecer setores como comércio, transporte e prestação de serviços. O Dieese observa que, se a regra anterior estivesse em vigor — incorporando integralmente o crescimento do PIB de 3,4% —, o salário mínimo alcançaria R$ 1.636, com injeção de R$ 93,7 bilhões, ou R$ 12 bilhões a mais.
Na prática, o novo valor diário é de R$ 54,04 e o horário, de R$ 7,37, com reflexos nos pagamentos a partir de fevereiro. Benefícios previdenciários, aposentadorias e contribuições ao INSS também são reajustados, gerando custo adicional estimado em R$ 39,1 bilhões anuais à folha de benefícios da Previdência Social, com cada R$ 1 de aumento impactando R$ 380,5 milhões.
Embora o reajuste garanta ganho real de dois pontos percentuais acima da inflação acumulada, ele pressiona as contas públicas em mais de R$ 43 bilhões, afetando despesas vinculadas ao mínimo, e impacta pequenas empresas, elevando custos com folha, encargos, FGTS, INSS patronal, férias e 13º salário. Especialistas destacam a necessidade de maior produtividade para equilibrar os efeitos, sem imediato aumento de demissões, mas com reorganização interna e possível repasse de preços. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a medida, que busca recompor o poder de compra, mas reacende debates sobre custo de vida — especialmente em moradia, saúde e educação, que sobem acima do INPC — e sustentabilidade fiscal em um contexto de recuperação econômica desigual.
