A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde (GEVS), iniciou, nesta segunda-feira (16), no auditório da Escola de Saúde Pública da Paraíba (ESP-PB), em João Pessoa, uma capacitação voltada à implantação das ações de vigilância entomológica com armadilhas de oviposição, conhecidas como ovitrampas. A atividade segue até esta terça-feira (17) e reúne técnicos da 7ª Gerência Regional de Saúde e profissionais de municípios da região, com o objetivo de fortalecer o monitoramento do mosquito Aedes aegypti e aprimorar as estratégias de enfrentamento das arboviroses.
Durante o treinamento, os participantes receberam orientações sobre o uso das armadilhas e a aplicação da metodologia de vigilância entomológica nos territórios. As ovitrampas são dispositivos utilizados para identificar a presença e a densidade de ovos do mosquito, permitindo que as equipes de saúde visualizem com maior precisão as áreas de maior risco e direcionem as ações de controle vetorial.
As armadilhas funcionam como um ponto atrativo para a postura de ovos do mosquito. Elas são instaladas em locais estratégicos e contêm um recipiente com água e uma palheta de madeira ou material semelhante, onde as fêmeas do mosquito depositam os ovos. Após um período determinado, o material é recolhido e analisado pelas equipes de vigilância entomológica, possibilitando identificar a presença do vetor e mapear áreas com maior probabilidade de infestação.
De acordo com o chefe do Núcleo de Fatores Biológicos e Entomologia da SES, Nilton Guedes, a iniciativa integra um processo de modernização das estratégias utilizadas no combate ao vetor. “O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, está capacitando os municípios para implantação dessa tecnologia que vem como mais uma ferramenta para o controle e monitoramento do Aedes aegypti. As ovitrampas vão permitir identificar as áreas prioritárias para atuação das equipes, orientando melhor o deslocamento dos agentes e direcionando as ações de enfrentamento”, explicou.
Segundo o gestor, além da implantação das armadilhas, a capacitação também reforça outras ações fundamentais da vigilância ambiental. Entre elas, a visita a pontos estratégicos, a pesquisa entomológica em locais com maior risco de proliferação do mosquito e a qualificação das visitas domiciliares realizadas pelos agentes de combate às endemias. “Quando o agente entra na residência, ele precisa identificar e eliminar os focos, orientar o morador sobre a retirada dos criadouros e aplicar o larvicida quando necessário. Essas ações continuam sendo fundamentais para o controle do mosquito”, completou.
Outro ponto enfatizado durante a capacitação foi a importância da integração entre a vigilância ambiental e a atenção primária à saúde. A proposta é fortalecer a articulação entre as equipes para que, diante de uma notificação ou suspeita de arbovirose, a resposta das ações de controle vetorial seja mais rápida e eficiente nos territórios.
Entre os participantes da capacitação, o apoio técnico do município de Caaporã, Joseildo Martins, destacou que a metodologia representa uma mudança importante no processo de trabalho das equipes municipais.
“Essa metodologia vem para melhorar o trabalho da vigilância e permitir visualizar as áreas com maior probabilidade de infestação. A partir dos dados da vigilância entomológica, conseguimos identificar onde está o vetor e direcionar uma intervenção mais rápida e mais intensiva”, afirmou.
Ainda em sua fala, o técnico destacou que a estratégia também contribui para tornar as ações de controle mais eficientes no território. “É uma mudança no processo de trabalho que já existe há muito tempo, mas que agora ganha uma nova forma de organização. Com essas informações, o município consegue identificar locais específicos que precisam de atenção e agir de forma imediata para evitar que a população seja afetada”, acrescentou.
O mosquito é responsável pela transmissão de doenças como Dengue, Chikungunya e Zika, que continuam sendo um desafio para os sistemas de saúde em todo o país. Por isso, o monitoramento contínuo da presença do vetor é considerado uma ferramenta estratégica para prevenir surtos e orientar as ações de controle.
Dados do último boletim epidemiológico divulgado pela SES-PB mostram que, até 6 de fevereiro deste ano, a Paraíba registrou 317 casos prováveis de arboviroses em 2026, sendo 292 de dengue e 25 de chikungunya. Não há casos prováveis de zika nem registros confirmados de febre do Oropouche no período. Até o momento, também não há óbitos confirmados por arboviroses no estado, havendo apenas um caso em investigação para dengue no município de João Pessoa.
A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba reforça que, além das ações de vigilância e monitoramento realizadas pelas equipes de saúde, a participação da população continua sendo essencial no enfrentamento ao mosquito. A principal medida de prevenção é eliminar recipientes que possam acumular água e servir de criadouros, como caixas d’água destampadas, calhas, garrafas, pneus e outros objetos expostos ao ambient
