A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde, realizou nesta quinta-feira (26), no auditório do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB), em João Pessoa, um treinamento teórico-prático em testagem dos níveis de atividade da enzima G6PD e no algoritmo de tratamento com a tafenoquina para a cura radical da malária vivax.
A capacitação foi direcionada a profissionais indicados pelos serviços de referência, Hospital Universitário Lauro Wanderley (João Pessoa), Hospital Universitário Alcides Carneiro (Campina Grande), Hospital Universitário Júlio Bandeira (Cajazeiras) e Complexo Hospitalar Deputado Janduhy Carneiro (Patos), além das 1ª, 3ª, 6ª e 9ª Gerências Regionais de Saúde. A proposta é que esses profissionais atuem como multiplicadores nos seus territórios, fortalecendo a organização da rede assistencial.
De acordo com a técnica responsável pela Vigilância das Arboviroses da SES-PB, Carla Jaciara, a iniciativa reforça a preparação do estado diante dos casos importados registrados na Paraíba. “A Secretaria está promovendo essa capacitação para ampliar o diagnóstico da malária vivax e garantir a utilização segura da tafenoquina. Nosso objetivo é qualificar os serviços de referência e fortalecer a vigilância, assegurando resposta oportuna e adequada aos casos identificados no estado”, afirmou.
Na sequência, a infectologista da SES-PB Júlia Chaves explicou que a tafenoquina representa um avanço no tratamento da malária vivax, mas requer critérios técnicos rigorosos antes da prescrição. “O Ministério da Saúde incorporou a tafenoquina ao tratamento da malária vivax. Para utilizá-la com segurança, é fundamental realizar previamente a testagem da G6PD, evitando riscos em pacientes com deficiência da enzima ou com anemia significativa”, ressaltou.
Durante o treinamento, os participantes realizaram a parte prática do teste de G6PD, aprenderam a interpretar os resultados associados aos níveis de hemoglobina e revisaram o algoritmo terapêutico recomendado pelo Ministério da Saúde. Além disso, foram atualizadas informações sobre as manifestações clínicas e laboratoriais indicativas de malária grave e complicada, como anemia grave, insuficiência renal, hipoglicemia e alterações neurológicas, reforçando critérios de encaminhamento e manejo oportuno.
Para a chefe de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Lauro Wanderley, Luciana Holmes, a capacitação fortalece a assistência e garante mais segurança na aplicação dos protocolos. “A atualização nos dá mais segurança para realizar a triagem adequada antes da prescrição da tafenoquina e seguir corretamente o algoritmo terapêutico. Isso qualifica o atendimento e contribui para um tratamento mais eficaz e seguro para o paciente”, destacou.
Também foram revisadas as normas que regem a notificação compulsória da doença, conforme a legislação federal vigente. A malária integra a lista nacional de agravos de notificação obrigatória, e a inobservância das determinações pode configurar infração sanitária. O alinhamento sobre fluxos de notificação, investigação e encerramento dos casos foi destacado como fundamental para manter a vigilância ativa e organizada.
Atualmente, a Paraíba não registra transmissão autóctone (que se origina da região onde se manifesta) recente de malária. Em 2025, foram confirmados cinco casos importados da doença. Já em 2026, até o momento, dois casos importados foram notificados nos municípios de Cabedelo e João Pessoa, envolvendo pacientes procedentes de áreas endêmicas da região Norte do país, sendo considerado estratégico o monitoramento permanente para evitar a reintrodução da transmissão local.
A responsável técnica pelo setor de doenças parasitárias do Lacen-PB, Fernanda Gambarra, destacou que o laboratório atua na confirmação diagnóstica da malária, por meio de teste rápido de triagem e da gota espessa, considerada padrão ouro, além do controle de qualidade das lâminas encaminhadas mensalmente pelos municípios. “O Lacen realiza o diagnóstico da malária, promove capacitações e faz o controle de qualidade das lâminas enviadas pelos municípios, garantindo maior confiabilidade dos resultados e fortalecendo a vigilância no estado”, pontuou.
A integração entre vigilância epidemiológica, assistência hospitalar e diagnóstico laboratorial se mantém como eixo estratégico para preservar a Paraíba sem transmissão autóctone da doença e assegurar o uso seguro da nova medicação nos casos importados.
