Saúde vai monitorar cenário sanitário na fronteira com a Venezuela

O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde para Roraima, estado brasileiro na fronteira com a Venezuela, com o objetivo de avaliar estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos disponíveis na região. A medida faz parte de um plano de contingência elaborado para responder a um possível agravamento da crise internacional e ao avanço da demanda por atendimentos de migrantes, após o ataque militar conduzido pelos Estados Unidos no sábado passado.

Diversas explosões foram registradas em bairros de Caracas, capital venezuelana, durante a operação que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças de elite norte-americanas. Eles foram levados para Nova York, em um episódio comparado por fontes oficiais à invasão americana ao Panamá em 1989, quando o ditador Manuel Noriega foi sequestrado sob acusações de narcotráfico. Os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, ofereciam uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à prisão de Maduro, a quem atribuem a liderança de um suposto cartel de drogas chamado De Los Soles, embora especialistas questionem sua existência e a falta de provas apresentadas.

Até o momento, o fluxo migratório na fronteira permanece estável, sem alterações significativas, conforme destacado pelo ministério em comunicado oficial. As equipes da Força Nacional, com vasta experiência em situações de tragédia, já atuam na identificação de estruturas hospitalares e na avaliação de possibilidades de ampliação. Caso necessário, o governo federal planeja montar hospitais de campanha e expandir unidades existentes para minimizar impactos no sistema público de saúde brasileiro.

O Ministério da Saúde também se colocou à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde para prestar ajuda humanitária à Venezuela, com ênfase no fornecimento de medicamentos e insumos para diálise. O principal centro de distribuição desses itens, localizado na cidade de La Guaira, foi destruído no ataque, afetando cerca de 16 mil pacientes venezuelanos em tratamento renal – número equivalente a cerca de 10% dos atendidos pelo SUS no Brasil. O ministro Alexandre Padilha reforçou que o Brasil busca mobilizar esses recursos por meio do SUS e de parcerias com empresas privadas, priorizando a prevenção de uma crise sanitária regional.

Na região de Roraima, o projeto Saúde nas Fronteiras, implantado em julho do ano passado, mantém 40 profissionais – incluindo médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e mediadores interculturais – atuando em Boa Vista e Pacaraima para acolher migrantes. Entre setembro e novembro de 2025, foram realizados mais de 5 mil atendimentos, e cerca de 500 mil doses de vacinas foram aplicadas na Operação Acolhida em 2024 e 2025. Em cenário de emergência, o ministério está preparado para triplicar a capacidade, passando de três para nove equipes itinerantes, com investimentos de cerca de 900 mil reais até dezembro.

O comunicado do Ministério da Saúde reafirma o SUS como referência internacional, garantindo assistência médica integral a todas as pessoas em território nacional, independentemente de status migratório ou nacionalidade, especialmente para imigrantes em cidades de fronteira. Críticos veem na ação americana uma estratégia geopolítica para afastar a Venezuela de aliados como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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