Sensação de 2025, Mirassol bate São Paulo em estreia no Paulistão

O Mirassol começou 2026 como terminou 2025: impondo respeito aos grandes e confirmando o rótulo de sensação do futebol brasileiro. Na noite de domingo, no estádio José Maria de Campos Maia, o Maião, o time do interior dominou o São Paulo do início ao fim e venceu por 3 a 0, no duelo que fechou a rodada de abertura do Campeonato Paulista. O resultado, construído com autoridade, expôs fragilidades do Tricolor logo na estreia e manteve a impressão de que o Leão Caipira entra para brigar em patamar mais alto também nesta temporada.

Com um elenco bastante reformulado e dez reforços anunciados para 2026, o Mirassol precisou de poucos minutos para mostrar que a aposta em experiência e continuidade de projeto pode render frutos imediatos. Um dos recém-chegados, o argentino Lucas Mugni, abriu o placar logo aos seis minutos, aproveitando rebote da finalização de Shaylon, que explodiu na trave. Foi um gol simbólico: o meia, contratado para dar cadência e qualidade ao setor ofensivo, apareceu no lugar certo, na hora certa, enquanto a zaga são-paulina ainda tentava se organizar.

O gol cedo mexeu com o São Paulo, que entrou em campo desfalcado e encontrou enormes dificuldades para conter a intensidade do adversário. A jovem defesa tricolor, com peças ainda em busca de entrosamento, passou a ser pressionada a cada tentativa de saída de bola. Aos 19 minutos, o castigo veio em nova jogada construída em velocidade: Alesson recebeu pela esquerda, arriscou o chute, a bola desviou no zagueiro Alan Franco e morreu nas redes, ampliando a vantagem dos donos da casa. Em menos de 20 minutos, o Mirassol traduzia no placar uma superioridade visível em cada disputa de bola.

Do outro lado, o São Paulo produzia muito pouco. As principais chegadas se resumiam a cruzamentos afastados sem grande esforço pela defesa do Mirassol, bem postada e atenta às bolas aéreas. Faltavam criatividade no meio-campo e coordenação entre os setores. A impressão era de que o time ainda estava em ritmo de pré-temporada, enquanto o Leão Caipira atuava em intensidade de competição decisiva.

Na volta do intervalo, o técnico são-paulino tentou reagir com mudanças ofensivas. Entraram Lucas Moura, recuperado de lesão no joelho, e Danielzinho, meia que foi capitão do próprio Mirassol em 2025 e chegou ao Morumbi como reforço para a nova temporada. Com as alterações, o Tricolor passou a frequentar mais o campo de ataque, mas esbarrava ora na falta de imaginação, ora na boa atuação do sistema defensivo adversário. As investidas terminavam em chutes travados ou em defesas seguras, enquanto o Mirassol seguia encontrando espaços para contra-atacar.

A equipe do interior, por sua vez, exibiu maturidade competitiva: recuou alguns metros, compactou as linhas e passou a escolher melhor os momentos de acelerar. Quando saía em velocidade, levava perigo, aproveitando a necessidade do São Paulo de se lançar à frente. Faltava ao time da capital transformar posse de bola em chances claras, e o relógio se tornava mais um adversário.

Já na reta final, a noite tricolor ficou ainda mais complicada. O lateral Maik foi expulso após falta dura, deixando o São Paulo com um jogador a menos e abrindo ainda mais espaços para o rival. Com superioridade numérica, moral elevada e o apoio da torcida, o Mirassol não desperdiçou a oportunidade de transformar a vitória em goleada. Aos 43 minutos, Daniel Borges cruzou da direita, o goleiro Rafael rebateu para o meio da área e José Aldo apareceu para concluir, marcando o terceiro gol e dando contornos definitivos à atuação do time da casa.

O apito final confirmou um roteiro que poucos torcedores do São Paulo imaginavam para a estreia: um time sem brilho, vulnerável defensivamente e incapaz de reagir com consistência após sair atrás. Já para o Mirassol, o triunfo por 3 a 0 representa mais do que três pontos. É uma declaração de intenções em um ano em que o clube terá calendário pesado, com participações em Paulista, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, e em que a manutenção do status de sensação se coloca como desafio permanente.

Enquanto o Tricolor volta para a capital pressionado a dar respostas rápidas ao torcedor nas próximas rodadas, o Leão Caipira deixa o gramado do Maião sob aplausos e com a confiança de quem começou 2026 como protagonista, fiel ao estilo intenso que chamou a atenção do país no ano anterior e pronto para incomodar, mais uma vez, os gigantes do futebol brasileiro.

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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