Sistema Cantareira fecha dezembro com 20,18% de volume útil

O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, continua em situação crítica ao entrar em janeiro operando na Faixa 4 – Restrição, com seu volume útil em 20,18%.[1] A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP-Águas) confirmaram que o sistema permanecerá nesta faixa durante o próximo mês, mantendo a população e os gestores hídricos em alerta constante.

O Sistema Cantareira opera em cinco faixas distintas baseadas no volume útil acumulado, cada uma com suas próprias restrições de captação.[1] A Faixa 1, considerada normal, compreende volumes iguais ou maiores que 60%. A Faixa 2, de atenção, varia entre 40% e 60%, enquanto a Faixa 3, de alerta, fica entre 30% e 40%. A Faixa 4, na qual o sistema se encontra atualmente, abrange volumes abaixo de 30%. Acima disso está a Faixa 5 – Especial, a mais crítica, acionada quando o volume cai abaixo de 20%.[1]

O fato de o Cantareira estar operando em 20,18% representa uma situação extremamente delicada. Embora o sistema tenha escapado por pouco da Faixa 5 – Especial, qualquer queda adicional o levaria a essa condição crítica, que representaria a primeira vez desde a publicação da Resolução Conjunta ANA/DAEE nº 925/2017 que isso ocorreria.[2] Este patamar corresponde ao menor nível registrado em dez anos, equiparável apenas aos níveis observados durante a crise hídrica de 2014 e 2015, quando o sistema operou com apenas 5% de sua capacidade.[4]

Com a permanência na Faixa 4, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está autorizada a retirar até 23 metros cúbicos por segundo do Cantareira, além de poder utilizar a vazão transposta do reservatório Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, que chega a 6 metros cúbicos por segundo.[1] Se o sistema viesse a entrar na Faixa 5 – Especial, a captação seria reduzida drasticamente para apenas 15,5 m³/s, com possibilidade de acessar até 8,5 m³/s adicionais do Jaguari.[2]

A redução do volume útil de 20,99% em 30 de novembro para 20,18% no último dia do ano evidencia que mesmo durante o período úmido, que se estende de outubro de 2025 a maio de 2026, o sistema não conseguiu se recuperar suficientemente.[1] Embora chuvas tenham contribuído para manter os reservatórios relativamente estáveis em dezembro, a onda de calor dos últimos dias aumentou o consumo de água em até 60%, mantendo a pressão sobre os recursos disponíveis.[1]

A situação hídrica é ainda mais preocupante quando se considera o panorama geral dos reservatórios paulistas. O Sistema Integrado Metropolitano, que abrange o Cantareira e outros seis mananciais, fechou dezembro operando com apenas 26,2% da capacidade.[1] O Alto Tietê, que abastece 4,5 milhões de pessoas, encontra-se em condição ainda mais delicada, operando com apenas 18% do volume útil.[4]

As autoridades hídrica estão alertando para a necessidade urgente de controle da demanda e economia de água. A ANA e a SP-Águas reforçam a importância de medidas operacionais de gestão da demanda pela Sabesp e da adoção de práticas de preservação de água por todos os usuários, com o objetivo de evitar que o nível do Cantareira chegue ao volume morto ou à faixa de emergência.[1] As principais estratégias em vigência incluem a redução da pressão noturna na rede por 10 horas diárias, uma medida que, embora necessária, penaliza desproporcionalmente as populações mais vulneráveis, pois a água demora mais para chegar às periferias.[4]

O Cantareira é composto por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, com volume útil total de 981,56 bilhões de litros.[1] O sistema abastece cerca de 9 milhões de pessoas na capital e municípios vizinhos, além de contribuir para o atendimento dos usos múltiplos da água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, incluindo o abastecimento da Região Metropolitana de Campinas.[2] Desde 2018, o sistema conta com uma interligação entre a represa Jaguari e a represa Atibainha, que ampliou a segurança hídrica para a Grande São Paulo.[1]

Especialistas alertam que a recuperação do sistema demandará não apenas chuvas consistentes nos próximos meses, mas também mudanças estruturais na gestão da água. Estudos de modelagem indicam que, mesmo que o volume anual de chuvas se mantenha, a distribuição será cada vez mais irregular, com longos períodos de estiagem seguidos por tempestades torrenciais, refletindo padrões climáticos extremos cada vez mais frequentes.[4] Aproximadamente 40% das bacias hidrográficas brasileiras enfrentam algum nível de restrição hídrica, demonstrando que o problema não é localizado.[4]

Fonte: Agência Brasil – Matéria Original (Clique para ler)

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